A música que fechou o concerto foi esta. Enjoy!
13.2.11
Marcha Fúnebre de Beethoven (3ª Sinfonia)
A música que fechou o concerto foi esta. Enjoy!
12.2.11
As Catacumbas de Paris - II
Durante séculos os mortos de Paris foram sendo enterrados à volta das igrejas, normalmente em charniers, valas comum abençoadas que permitiam enterrar rapidamente um número grande de cadáveres e que iam sendo abertas e fechadas com rapidez, conforme ficavam cheias. Quando possível, os ossos eram retirados e preservados fora das sepulturas, mas ainda assim, empilhavam-se os mortos uns sobre os outros, dentro da cidade.
Inicialmente, quando a lei era a Romana, em Paris como no resto do Império, os mortos eram levados para fora das muralhas das cidades, para cemitérios em locais relativamente arejados e isolados, mas a chegada do
Catolicismo construiu igrejas e capelas e disseminou a ideia de que a proximidade dos mortos desses edifícios sagrados, assim como o pagamento do serviço de inumação, garantiria a salvação.Rapidamente os terrenos em volta das igrejas se encheram de cadáveres e também no interior se faziam inumações. As famílias nobres conseguiam ter pedras gravadas no chão das igrejas, sobre os seus mortos, ou comprar um pequena capela para toda a família. Para os pobres eram abertas valas comuns que se iam enchendo e cobrindo ao longo do tempo.
O aumento populacional começou a sobre-lotar estes cemitérios e o crescimento da cidade engoliu-os e apertou-os entre as moradias, lojas de artífices e mercados. A terra, saturada, já não devorada as carnes com a mesma rapidez e os ossos misturavam-se com corpos mais recentes. O cheiro era nauseabundo e desde o século XVI que há registos oficiais de reclamações.
Epidemias e infecções varriam família inteiras nas vizinhança destes antros de morte e rapidamente as igrejas pareciam ter sido construidas num pequeno vale, rodeadas de elevações artificiais nascidas dos enterramentos acumulados, e transformadas em criptas funerárias, recheadas com as ossadas dos ricos.
Por toda a cidade se sentia o cheiro putrefacto dos corpos em decomposição e mesmo a água e o pão que se comiam e bebiam estavam contaminados.
Mas mais uma vez, e à semelhança do que acontecera anos antes com os túneis das pedreiras subterrâneas de Paris, foi preciso um desabamento para que todas as queixas, relatórios e reclamações fossem levadas a sério.

Em 1780, as paredes da cave de um edifício que ficava paredes meias com o cemitério de Les Innocents cederam, empurradas pelo peso dos milhares de cadáveres que se acumulavam nas valas do cemitério.
Ossos e corpos putrefactos tombaram para dentro da divisão, contaminando tudo e todos.
Rapidamente, as entidades oficiais decretaram que Les Innocents devia ser encerrado, mas sem outra solução mais eficaz, só se agravou a situação dos restantes cemitérios da cidade, obrigados a receber os corpos que tinham pertencido ao cemitério encerrado.
A resolução definitiva chega em 1785, quando uma proposta de utilização dos túneis das pedreiras de calcário como ossário foi aceite.
Todos os cemitérios do interior da cidade foram fechados e iniciou-se o processo de exumação e transladação. As ossadas foram retiradas da terra, limpas, empilhadas em carroças e cobertas por
panos negros. Padres acompanhavam as carroças, rezando ladainhas em latim e entoando cânticos sagrados, enquanto cavalos negros levados à mão as puxavam, trotando na noite pelas ruas de Paris, carregando as ossadas para sul da Porte D’Enfer, junto à qual se fazia o acesso às recém convertidas catacumbas.Essas macabras procissões nocturnas duraram anos, até que os cerca de seis milhões de parisienses, enterrados nos cemitérios, ficaram finalmente amontoados nas entranhas da cidade crescente.
Só mais tarde as ossadas foram dispostas como as podemos ver, de forma ordenada junto das paredes, criando padrões usando caveiras e restos de placas e cruzes, recuperadas dos cemitérios desmantelados.
Nas paredes subterrâneas estão cruzes e corações feitos com caveiras, rodeados por tíbias e fémures empilhados, espectáculo que se estende por quase dois quilómetros, onde estreitos corredores desembocam em galerias espaçosas, iluminadas parcamente e ostentando poemas e versos em latim e francês antigo. Essa arrumação, assim como a selecção dos textos de cariz filosófico e poético que acompanham os restos mortais, foi da responsabilidade do Visconde de Thury.
Foi assim que as pedreiras de Paris se tornaram no Ossário Geral da cidade. E é assim que nasce um novo desejo entre os parisienses: visitar as catacumbas.
11.2.11
Até Que a Morte nos Separe...
Um desses programas é perfeito para nós, Tafófilos:
"Até Que a Morte Nos Separe" é um passeio guiado pelo Cemitério dos Prazeres onde prometem dar-nos a conhecer histórias de amor que atestam e até ultrapassam o romantismo deste juramento.Não se esqueçam de marcar!

Dias 12, 13, 19 e 20 de Fevereiro das 12 horas às 13:30 horas.
Marcações através do número: 213 912 699 ou 213 912 700
10.2.11
As Catacumbas de Paris - I
Paris é uma cidade luminosa e sem complexos, que assume os seus mortos e os promove como atracções turísticas de qualidade, sem vergonha ou hesitações.
As catacumbas de Paris são uma dessas atracções turísticas, tal como os cemitérios: Père Lachaise, Montmartre, Montparnasse e, em menor dimensão mas não menor interesse, Passy, o mais recente dos quatro.
A enorme rede de túneis sob Paris não nasceu para ser o ossário da cidade, guardando
carinhosamente as ossadas de cerca de seis milhões de Parisienses, anteriormente enterrados nos cerca de duzentos pequenos cemitérios por toda a cidade.Na realidade, as galerias subterrâneas que formam as catacumbas foram sendo lentamente construídas, durante séculos, por desbaste da rocha calcária que serve de base à cidade, consumida como matéria prima nas construções à superfície. Os romanos tinham enormes pedreiras a céu aberto, afastadas centro de Lutécia (Paris nos tempos Romanos). Através dos tempos, o calcário continuou a ser usado na construção de edifícios, ano após ano, mas com os veios a serem explorados por meio de túneis, a cerca de vinte metros de profundidade.
Como toupeiras, os mineiros cavavam galerias estreitas que iam secando de pedra e alargando, para depois as abandonar, seguindo outro veio de rocha quando aquele falhava. Alguns dos túneis abandonados foram tapados com cascalho, outros não. A rede subterrânea de túneis e passagens foi aumentando de forma irregular e sem plano, criando labirintos escavados na rocha, em direcção ao coração da cidade. De igual forma, Paris foi crescendo, à superfície. Algures no tempo, a cidade sobrepôs-se ao túneis calcários, que continuaram a ser escavados nas suas entranhas.
No século XVIII, em 1774, a cidade apanha um grande susto: uma derrocada num túnel abandonado engole a
Rue d'Enfer (Rua do Inferno), deixando apenas um buraco e escombros. A este primeiro desabamento seguem-se outros, engolindo edifícios, pessoas, animais, deixando a população em pânico e assustada.Imagens de demónios das profundezas tragando a cidade nascem na imaginação dos Parisienses e espalham o histerismo.
O rei encomenda estudos que revelam a verdade temida: os túneis das pedreiras de Paris são extensos, instáveis e não existem planos de mitigação de risco.
E é assim que no ano de 1776 se vê nascer um novo serviço na cidade, a inspecção das pedreiras - Inspection des Carrières - que tem como missão inspeccionar, reparar e mapear as pedreiras abandonadas.
Ao mesmo tempo, Paris viu-se a braços com outro problema derivado do crescimento da cidade, igualmente difícil e também capaz de alimentar as imaginações mais impressionáveis: os cemitérios da cidade estavam sobrelotados.
9.2.11
Falecidos Famosos: Chopin
ser visto como um instrumento a solo. Aquela que é, talvez, a mais célebre de todas as marchas fúnebres foi composta por Chopin. Aliás, todos os seus Nocturnos têm qualquer coisa de lúgubre, de funerário, na sua sonoridade de cadências lentas e graves, mesmo os que se poderiam considerar mais animados.Chopin nasceu na Polónia, mas abandonou a terra natal aos vinte anos. Morreria antes de completar quarenta, em Paris, rodeados de amigos e admiradores, mas sem o seu grande amor: George Sand, a controversa romancista do século XIX.
A relação entre Chopin e Sand foi muito comentada na época e terminou em 1847, dez anos depois de se ter iniciado, na sequência da publicação de Lucrezia Floriani em 1846, onde Sand retrata o seu romance com Chopin, apresentando-o numa luz muito pouco simpática e chamando a si o papel de mártir.
Apesar disso, consta que o golpe final na relação esteve relacionado com Solange, filha de George Sand, muito acarinhada por Chopin. Os motivos diferem consoante a fonte: alguns defendem que Chopin tomou o partido de Solange e o marido, o escultor Auguste Clesinger, face a questões de dinheiro, contra Sand; outros dizem que Chopin não gostava de Clesinger, considerando-o mesmo um escroque, e que se opunha ao casamento dele com Solange, mas Sand via o enlace com bons olhos.
Chopin foi um homem doente, continuamente enfraquecido por uma crónica doença pulmonar - que à altura se julgava ser tuberculose, mas que actualmente se concluiu por fibrose quística - que acabou por o vitimar no regresso de uma "tour" pelo Reno Unido. O seu coração, de acordo com o último desejo, foi retirado, preservado numa urna de cristal e enviado para Varsóvia, onde se encontra até hoje. Foi poupado da destruição da cidade durante os bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial por um General da SS. Mais tarde foi devolvido à cidade e encontra-se na Igreja da Santa Cruz.
Outras das últimas vontades do pianista foi ter o Requiem, de Mozart, tocado no seu funeral. O facto da igreja não aceitar cantoras femininas obrigou a um adiamento da cerimónia por duas semanas, até chegarem a um acordo: as cantoras actuariam cobertas por um pano negro, para não serem vistas. Junto ao túmulo, enquanto alguns cobriam o caixão com terra trazida da Polónia, tocou-se a sua Marcha Fúnebre Op. 35.
A penúria em que se encontrava no momento da morte levou a que o funeral fosse pago pelos seus amigos, que se reuniram no Cemitério de Père Lachaise para um último adeus: apareceram mais de 3 000 pessoas. Entre eles estavam Delacroix, Liszt e Victor Hugo; a ausência de Sand foi notada por todos.
Talvez por ironia, foi Clesinger quem foi chamado, na manhã de 17 de Outubro de 1849, para fazer a máscara de morte de Chopin, criando também moldes das suas talentosas mãos. Mais tarde, é também a este escultor que é encomendado o monumento que encima a campa do músico, uma das mais visitadas em Père Lachaise e sempre repleta de flores.
A recepção da peça de arte não foi calorosa e muitos críticos consideraram-na mesmo medíocre, lamentando que seja ela a marcar a última morada deste notável homem.
Se for a Père Lachaise, é uma visita obrigatória.
8.2.11
Simbologia: Cão
No caso específico do cão, normalmente, está associado a um animal real, provavelmente o predilecto do falecido, que o acompanhava em vida.Algumas culturas enterravam os pertences do morto com o cadáver e, muitas vezes, isso incluía os seus cães.
A associação dos cães à arte funerária e à vida depois da morte também não deve ser descurada; basta pensar em Cérbero, o gigantesco cão tricéfalo que guardava os portões do mundo inferior.
Na mitologia egípcia o cinocéfalo Anúbis era o deus dos mortos.
Como acontece com quase todos os símbolos, o cão pode ter um significado luminoso ou tenebroso, de acordo com o contexto.
De um ponto de vista luminoso, podemos dizer que os cães são considerados um símbolo de fidelidade, lealdade, vigília e vigilância.
Durante a idade média, a representação de cães na arte funerária representa normalmente a fidelidade, seja matrimonial ou feudal, Por exemplo, no sarcófago de D. Pedro I - na Igreja do Mosteiro de Alcobaça - estavam talhados três cães, com o objectivo claro de representar fidelidade.
Interessante é, também, a associação da imagem do cão à Igreja.
Os frades dominicanos eram, muitas vezes, designados como os "Cães de Deus". Apesar desta expressão poder parecer depreciativa, estava associada à lenda do nascimento de Domingos de Gusmão: conta-se que a mãe des, enquanto grávida, teve um sonho em que dava à luz um cão que segurava um archote alumiado entre os dentes. A imagem foi tão real que quando Domingos de Gusmão criou a sua ordem esta passou a fazer parte do brasão.
Até etimologicamente se pode traçar a origem da expressão, de origem latina: domini (do Senhor) e canos (canis) cão.
No entanto, como já referi anteriormente, os símbolos têm normalmente duas interpretações e, de um ponto de vista menos iluminado, podemos considerar a representação do cão de outra forma. Cães negros, tal como os gatos, são muitas vezes representados numa associação a bruxas e feiticeiros, recordando os cães enviados pelo Demónio para caçar almas humanas.
Termino com uma nota: como noutras áreas, o contexto - histórico, social, artístico - é essencial para a interpretação de determinado elemento decorativo.
7.2.11
Livros: Cemitérios, Jazigos e Sepulturas
sido editado em 1963, numa edição de autor, com o apoio das Coimbra Editores, Lda.Felizmente, num inesperado golpe de sorte, encontrei o livro na lista de um alfarrabista online e em menos de 24 horas tinha o volume comigo.
É, sem sombra de dúvida, uma obra de referencia. Da autoria de Vítor Manuel Lopes Dias, à altura secretário do Governo Civil do Porto, esta monografia tem o subtítulo de Estudo Histórico, Artístico, Sanitário e Jurídico e é, de facto, tudo isso.
O primeiro capítulo versa sobre ao hábitos de fúnebres humanos desde o inicio dos tempos até ao século XX, dando exemplos concretos e apresentado definições claras e concisas para quase todos os conceitos que estão relacionados. De uma riqueza e fundamentação robusta, este capítulo apresenta, por exemplo, todo o detalhe da revolta da "Maria da Fonte" fazendo referencia a diversos outros autores e obras que também versam sobre o assunto.
Relativamente à componente artística, começam por ser listados, descritos e ilustrados todos os sepulcros existentes em igrejas, conventos e catedrais portugueses, apresentando até uma justificação para o desaparecimento desta arte e claro, fazendo referencia aos escultores e obras de arte presentes nos cemitérios românticos portugueses: Prazeres, Alto de São João, Agramonte e Prado do Repouso.
No capítulo referente à componente sanitária é especialmente interessante observar as regras criadas para a selecção de locais onde edificar cemitérios, assim como todos os preceitos para a criação de campas e jazigos, tipologia de caixões e regras de tratamento. Refere até o tipo de vegetação a ser seleccionada e o porquê.
Por fim, toda a componente jurídica - até à altura - existente relativa a cemitérios e inumações.
Especialmente interessante é, também, perceber como o autor trata a questão da cremação ou incineração de cadáveres. É de recordar que esta monografia foi escrita em 1963 em pleno Estado Novo que, respeitando os preceitos católicos, proibiu a cremação, tendo criado a ideia de que o único forno crematório do país - construído no cemitério do Alto de São João em 1925 - se encontrava avariado e impossibilitado de funcionar. São mesmo apresentadas estatísticas que reduzem o número de cremações a uma a duas por ano, desde '25 até ao momento da "avaria" para justificar este não ter sido arranjado ou construido outro.
Um excelente trabalho que é, sem dúvida, incontornável.
6.2.11
Igreja de S. Francisco, Porto
midade com os locais mais sagrados, como o altar principal ou as capelas contendo relíquias de santos, eram apenas para os mais ricos, uma vez que eram os mais caros.Os cemitérios públicos aparecem, maioritariamente, nos anos 30 do século XIX, mas a resistência do povo à sua utilização foi de tal forma fervorosa que levou mesmo a uma revolta popular seguida de uns meses de guerra civil: a revolução da Maria da Fonte, que teve inicio no Minho.
A cidade do Porto tinha diversos cemitério privados, muitos deles propriedade de ordens religiosas que se recusavam a fechar os cemitérios e a passar a enterrar os seus mortos nos novos cemitério públicos, que se pretendiam com um carácter laico ou, pelo menos, ecuménico.
Epidemias de cholera morbus e o cerco da cidade do Porto, levado a cabo pelas tropas Miguelistas, levam à criação dos cemitérios do Prado do Repouso e Agramonte e à obrigatoriedade da sua utilização.
As catacumbas da Igreja de S. Francisco da Ordem Terceira, no Porto, são das únicas que podem ser visitadas em Portugal e onde ainda se podem ver gavetões datados de meados do século XIX.

Estas catacumbas podem ser visitadas, mediante a compra de um bilhete, que dá acesso a todo o museu e ao interior da magnifica igreja, com belíssimos altares cobertos de talha dourada e, claro, às catacumbas.
Consta que o interior da igreja está forrado com cerca de 600 quilos de ouro.
O chão das catacumbas é composto de grandes rectângulos de madeira gasta e acinzentada que baloiçam sob os nossos pés e ressoam a vazio: por baixo deles estão enterrados os irmão da confraria. Não existe sequer identificação relativa aos restos que aí repousam: apenas números.
As paredes das criptas centrais estão forradas com gavetões onde as urnas eram arrumadas de lado, uma vez que os corredores e as criptas são estreitos e por isso, ainda que de outra forma (à semelhança dos gavetões existentes nos cemitérios actuais) permitisse um maior número de inumações por parede, seria impossível manobrar as urnas.
Os gavetões são todos iguais (ver imagem acima) numerados, e com os nomes e datas dos falecidos gravadas no exterior. É ainda possível encontrar alguns vazios, uma vez que por volta de 1855 a Ordem Terceira de S. Francisco adquiriu terreno no recém criado Cemitério de Agramonte, tendo aí estabelecido um cemitério privado, no interior do recinto do cemitério municipal, contornando assim a lei que encerrou os cemitérios privados existentes no Porto e proibiu a criação de novos.Num das últimas criptas, pode ainda ver-se no chão uma velha grade, coberta agora de vidro, que é um dos pontos altos da visita.
A grade permite observar pilhas de ossos amontoados desordenadamente no centro de uma câmara.
Partidos, esmagados, conseguem distinguir-se crânios dos mais variados tamanhos, pertencentes aos irmãos da Ordem Terceira que pretendiam aguardar a ressurreição no dia do Juízo Final em terreno sagrado, sob o tecto protector de uma igreja.
Este é mais um local que merece ser visitado.
The Comedy Of Terrors
O trailer que acabaram de ver é do filme The Comedy of Terrors de Jacques Tourneur.
No seu elenco conta com os fabulosos Vincent Price (The House of Usher, The House on Haunted Hill), Boris Karloff (Frankenstein, The Mummy), Peter Lorre (Casablanca, The Raven) e ainda Basil Rathbone (The Black Cat, The Mad Doctor) - sim, todos juntos no mesmo filme! Como se só este facto não fosse suficientemente impressionante para nos fazer correr em busca do DVD, é preciso ainda notar que o guião ficou a cargo de Richard Matheson (I Am Legend, A Stir of Echoes).
O filme conta-nos a história de Trumbull (Vincent Price), genro de Hinchley (Boris Karloff), que, após o casamento com Amaryllis (Joyce Jameson) passa a tomar conta do negócio da família: uma agência funerária, bem ao estilo americano.
Felix, apaixonado pela bela e escultural Amaryllis, é o ajudante de Trumbull, que o apoia incondicionalmente, mesmo quando este o empurra - literalmente - para uma vida de crime.
O negócio começa a correr mal e, quando os clientes começam a escassear e Mr. Black (Basil Rathbone) lhes bate à porta para cobrar as rendas atrasadas, forma-se um plano na cabeça de Trumbull: se as pessoas não morrem sozinhas, podemos sempre dar uma ajuda.
Os diálogos entre Trumbull e Amaryllis são deliciosos; segue-se uma pequena amostra:
Waldo Trumbull: Get away from me!Para além da reciclagem de caixões (que infelizmente ainda acontece em alguns sítios), é ainda Amaryllis quem assina outro dos momentos altos do filme, ao cantar - pessimamente - durante um serviço fúnebre "He is not dead but spleepin', He is not dead at all."
Amaryllis Trumbull : Am I so repulsive?
Waldo Trumbull : That's the word, yes.
Amaryllis Trumbull : Couldn't you find it in your heart to love me, Waldo?
Waldo Trumbull : Get up, you're sitting on my money!
Amaryllis Trumbull : So you reject me?
Waldo Trumbull : As long as there's liquor in the house!
Um filme a não perder.
5.2.11
Simon Marsden
O trabalho de Simon Marsden (Α: 1948 - Ω: ) é inovador e facilmente reconhecível.
Trabalhando com infravermelhos, Marsden fotografa ruínas e e locais isolados, criando atmosferas fabulosas, lúgubres e um pouco desconcertantes por encontrarmos luz onde esperávamos ver sombras.Tendo recebido a sua primeira máquina fotográfica - uma Leica - no seu vigésimo primeiro aniversário, gastou o primeiro rolo fotográfico no jardim onde, à semelhança das fadas de Cottingley de Conan Doyle, espalhou fantasmas que recortara em cartão, numa tentativa de recriar a atmosfera dos contos de M. R. James, Arthur Machen e Edgar Allan Poe, que lia desde criança.
Com o apoio de bolsas da Arts Council of Great Britain, passou parte dos anos 70 a viajar pela Europa, Estados Unidos e Médio Oriente, onde os seus temas de eleição o levaram a percorrer cemitérios abandonados, ruínas de castelos, palácios e velhas catedrais.

Marsden conta-nos no Clive Barker's A-Z Of Horror que, quando foi convidado para ilustrar um livro com trabalhos de Edgar Allan Poe, já tinha praticamente todo o material que podemos ver na edição que deu à estampa.
Tem uma bibliografia com cerca de doze trabalhos e onde o mais recente é Memento Mori - Churches and Churchyards of England, um livro a não perder e ao qual regressarei mais tarde.
Bibliografia:
- In Ruins, 1980
- The Haunted Realm, 1986
- Visions of Poe, 1988
- Phantoms of the Isles, 1990
- The Journal of a Ghosthunter, 1994
- Beyond the Wall, 1999
- Venice—City of Haunting Dreams, 2001
- The Twilight Hour—Celtic Visions from the Past, 2002
- This Spectred Isle—A Journey through Haunted England, 2005
- Ghosthunter-A Journey Through Haunted France, 2006
- Memento Mori-Churches and Churchyards of England, 2007
4.2.11
Catacumbas de Paris na National Geographic
Um local a visitar e um artigo a não perder.
3.2.11
Livros: Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário
O autor é Francisco Moita Flores e o livro Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário é uma edição de luxo, em formato grande, de capa dura, sobre-capa e fita de seda, que deveria fazer parte da biblioteca de qualquer tafofilo que se preze.
Diz-nos Moita Flores na sua introdução:
As páginas que se seguem não são a história dos cemitérios, como esta tradicionalmente é entendida - um discurso cronologicamente organizado sobre a memória, nem quer ser um mero roteiro turístico preocupado com a bela apresentação e de narrativa simplista. É, antes de mais, uma reflexão sobre nós, sobre a nossa cidade, sobre a Morte. Ou dito de outra forma,sobre o modo como os vivos pensam, sentem e representam a Morte. Tornámo-nos, assim, viajantes através da memória, espreitando às encruzilhadas de esperanças e angústias que são ponto de encontro de todos nós, no momento em que reassumimos a consciência da nossa própria finitude.
Apesar de não ser fácil encontrar o livro nas livrarias comuns, ainda po
de ser adquirido em alfarrabistas ou, com muita sorte, na loja da Câmara Municipal de Lisboa na Avenida da República.
Quando comprei o meu, há uns anos, ainda lá ficaram dois.
Contém inúmeras fotografias, contextos históricos, alguma simbologia e descrição de rituais de morte e, uma das mais valias do livro, uma visita guiada ao Jazigo Palmela no Cemitério dos Prazeres, um dos maiores jazigos da Europa, que reúne o número recorde de cerca de 200 corpos e restos mortais de elementos da mesma família.
Jazigo Palmela, Cemitério dos Prazeres, Lisboa, Portugal @Gisela Monteiro.2010
Etimologia de Tafofilia e Cemitério
Aproveitou ainda para nos deixar a etimologia das palavras tafofilia e cemitério, que transcrevo:

