15.4.11

Museu Nacional de História Funerária

Uma coisa que não falta nos Estados Unidos da América são museus. Eles têm museus de quase tudo e, no estado do Texas, têm um museu que é uma das atracções obrigatórias para os tafófilos de visita: o National Museum of Funeral History.

Com a apelativa divisa Any Day Above Ground Is A Good One o museu foi criado no inicio dos anos '90 com o objectivo de preservar a história da industria funerária.

O museu tem um conjunto diversificado de artefactos que compõem a sua colecção permanente e apresenta ainda um conjunto de exposições interessantes, das quais se destaca uma Fábrica de Caixões de 1900 (com uma pequena apresentação online), as celebrações do Dia dos Mortos, explicando quais os objectos que lhe estão associados e a sua motivação/simbologia, as origens do hábito americano de embalsamar cadáveres, uma colecção de caixões de fantasia (entre o kitsch e o estranho) onde os esquifes estão esculpidos em forma de galinha, carro, peixe, caranguejo, etc.

Para além de tudo isto, é ainda possível comprar canecas e t-shirts, replicas em miniatura das carretas funerárias em exposição, livros temáticos, etc., na loja do museu (e na loja online).

Quem estiver a pensar visitar o Texas, pode incluir este museu na sua lista de locais a visitar.


13.4.11

Morte Magnifica

The cemetery photographs by David Robinson are filled with mystery, melancholy, sly humor, irony, hushed grief, the peace of final silences, sometimes a throttled anger at the fact of mortality, and evena strange wistfulness, but they successfully avoid fulfilling any of the usual expectations to which the subject matter might give rise.
Dean Koontz, Beautiful Death

As palavras anteriores são do escritor Dean Koontz e fazem parte da introdução ao livro de fotografia cemiterial Beautiful Death do fotografo David Robinson.

Beautiful Death é uma belíssima compilação de fotografias tiradas em vários cemitérios da Europa, incluindo Portugal.

Segundo o autor, o livro nasceu na primeira visita que este fez ao Cemitério de Père Lachaise.
A beleza e impacto visual do local deixaram o autor completamente apaixonado e, tendo posteriormente vivido alguns anos em Paris, Père Lachaise passou a ser um dos seus locais preferidos.

Se procurarmos um tema por detrás deste livro-álbum - para além do cemitério, enquanto local de fundo - podemos dizer que este será, talvez, a diversidade.
Contendo imagens de cemitérios em França, Inglaterra, República Checa, Espanha, Portugal e Itália, o autor consegue apresentar uma selecção ampla, explorando as diferentes formas de celebrar a Morte e os mortos.

De Portugal, aparecem apenas cinco imagens, de cemitérios no Redondo e Vila Viçosa. As imagens exploram os pequenos altares de memórias, construidos pelos vivos, contendo fotografias, flores e pequenas recordações, resguardados por detrás de um vidro que os protege da passagem do tempo.

Em Itália, exploram-se as estátuas de bronze negro e verde e os belíssimos retratos pintados no esmalte que representam os falecidos.

A grande maioria das fotografias dizem respeito a França, em especial aos cemitérios de Paris e são realmente bonitas.

Publicado em 1996, Beautiful Death é um trabalho imperdível de David Robinson.


8.4.11

Aurora (documentário)



Gravado no Cemitério de Budapeste em 2010, este documentário de homenagem é da autoria de Catarina Carrola com câmara de Rui Madruga.

7.4.11

Monumentos Memoráveis: Jazigo Parpaglioni

No cemitério lisboeta dos Prazeres encontra-se uma estátua belíssima, onde um anjo de braços abertos se eleva no ar, em direcção ao Paraíso, levando consigo uma jovem rapariga de cabelos ao vento, cruz ao peito, mãos cruzadas sobre o colo e expressão de êxtase no rosto.

Esta estátua, magnifica, não é única.

O original (de título desconhecido) está no Cemitério Monumentale di Stagieno em Génova e foi esculpida por Frederico Fabiani (Α:1835 - Ω:1914) em 1884.

A morte inesperada e trágica da filha de Luigi Parpaglioni, um rico mercador da Lombardia, levo-o a encomendar um trabalho onde um anjo acompanhasse o espírito da sua filha a caminho do Céu.
O escultor Fabiani, apesar de actualmente ser pouco conhecido, foi um escultor bastante famoso nos anos oitenta do século XIX, chegando mesmo a mudar-se para a América do Sul para responder às muitas encomendas.

Este foi um dos trabalhos de arte cemiterial que ajudou a popularizar a mistura do religioso com o sensual, como na peça L'amore degli Angeli de Giulio Bergonzoli.

Para além do original, em Génova, e da réplica portuguesa no Cemitério dos Prazeres, é ainda possível encontrar outra réplica no Cemitério de Poble Nou em Barcelona.


5.4.11

Epitáfios

Epitáfio é o nome que se dá aos textos que acompanham os túmulos, deixando mensagens para os vivos ou homenageando os mortos.
Tem origem na palavra grega epitafos, onde epi significa "sobre" e tafos significa "túmulo".



Cemitério do Alto de São João, Lisboa, Portugal.


4.4.11

Simbologia: Papoila

Sendo uma das mais comuns representações de plantas nos nossos cemitérios - assim como as perpétuas e as saudades - as papoilas dormideiras são facilmente identificadas, mesmo quando introduzidas em composições com outros elementos, graças à sua forma bolbosa e gomada, coroada com um anel zigzagueante.

Se considerarmos que o aparecimento dos cemitérios coincidiu com uma época em que o consumo de ópio e derivados opiáceos era comum, percebemos que símbolo da papoila era de fácil leitura para os coevos.

Assim, devido às propriedades narcóticas do ópio, a papoila dormideira - como é conhecida em Portugal - é associada com o Sono, a Morte e Morfeu, o deus grego dos Sonhos. Recorde-se que uma das substâncias extraídas do ópio é a morfina, nome que deriva da associação ao deus Morfeu. Noutros contextos - e, mais uma vez se refere que a interpretação de símbolos tem sempre de ser contextualizada - a papoila pode ser associada à extravagância e ignorância.

No contexto funerário, o seu significado mais óbvio é o do Sono Eterno, da Morte Pacífica.

3.4.11

Jazigo dos Duques de Palmela - III

Fica no cemitério lisboeta dos Prazeres o maior jazigo privado da Europa. Iniciada a sua construção em 1846 e terminado em 1849, foi desenhado pelo arquitecto maçon Giuseppe Cinátti, segundo instruções de Pedro de Holstein (Α:1781 - Ω:1850), o primeiro duque de Palmela.

Inicialmente, o espaço reservado aos Palmela - familiares no interior do jazigo e seus empregados no pequeno jardim de acesso, inumados entre os frondosos ciprestes - situava-se no exterior do cemitério, em jeito de cemitério privado.
Provavelmente, as mesmas leis que obrigaram as ordens religiosas do Porto a fechar os seus cemitérios privados, e a comprar talhões dentro de Agramonte e Prado do Repouso, acabaram por levar os duques de Palmela a doar terreno à Câmara Municipal de Lisboa, de forma a garantir a integração do Jazigo Palmela no interior do contíguo Cemitério dos Prazeres. Em suma: mais do que passarem para o interior, os duques de Palmela conseguiram que o cemitério crescesse para junto deles.

Aparentemente imbuído de simbologia maçónica, o Jazigo Palmela tem a forma de uma enorme pirâmide - durante o século XIX, o revivalismo egípcio varreu toda a Europa (e América do Norte) não sendo de descartar o impacto que ele também teve na concepção do jazigo - assente sobre um cubo (se pensarmos no espaço ocupado pela cripta subterrânea).
Mas esta não é uma pirâmide perfeita: é uma pirâmide inacabada. O topo não termina num vértice - união das quatro faces, das quatro arestas - mas numa nova face, paralela à base da pirâmide. Recorde-se que uma das lendas maçónicas conta que o Mestre Hiram Abiff, responsável pela construção do Templo de Salomão, foi assassinado antes de completar a obra, deixando o templo inacabado.

Nessa face, no lugar onde é usual colocar-se uma Pedra Benben para concluir a pirâmide (ou o obelisco), encontra-se uma estátua, que alguns autores atribuem a Calmels.
Essa estátua é uma figura feminina, várias vezes identificada como sendo o Anjo da Morte ou da Boa Morte (dependendo dos autores consultados...), e é, provavelmente, uma das Sete Virtudes: neste caso a Fé, representada como sendo uma mulher carregando uma cruz.
É ainda de nota que a estátua agarra um livro e um conjunto de chaves: simbologia atribuída a S. Pedro, a quem Cristo entregou as Chaves do Paraíso.
Não deixa de ser curioso que, desta forma, a pirâmide do Jazigo Palmela acabe por ser rematada com uma cruz, o que acontece com todos os obeliscos de Roma, que a mando do Papa Sisto V, no século XVI, foram exorcizados de todos os demónios e purificados da sua simbologia maldita pelo acrescento dessas cruzes.

A magnifica construção ergue-se a Oriente, ocupando o último terço do espaço do talhão rectangular, de cota mais elevada do que os terrenos e construções que o rodeiam, limitado por um gradeamento de metal, constituído por peças repetidas em conjuntos de três, onde no centro de cada um se pode ver uma cabeça de leão (outro símbolo solar de inspiração maçónica).

Sete são os degraus que permitem chegar até ao portão. O número 7 é um dos três números mais importantes para a maçonaria; são eles o 3, o 5 e o 7; referências numerológicas aos três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre.
Estes sete degraus representam ainda as sete Artes Liberais, que compunham o plano de estudos medieval, as sete idades do homem ou as Sete Virtudes Cardeais que conduzem ao auto-conhecimento, auto-domínio e auto-enobrecimento.

Entre o portão, que separa o talhão dos Palmela do restante cemitério, e os cinco degraus que dão acesso ao patamar de entrada no Jazigo, estende-se um tapete de irregulares pedras pretas e brancas, compondo doze losangos: certos autores especulam que o proverbial Templo de Salomão também apresentava pavimentos ou motivos decorativos formados pelo contraste de formas geométricas pretas e brancas, pelo que, ainda hoje, uma quadrícula de mosaicos brancos e pretos é o padrão comum do chão de muitos templos maçónicos.

Ladeando a passadeira preta e branca estão enterrados os empregados da família Palmela: mulheres do lado Norte e homens do lado Sul. Existem duas mulheres enterradas do lado Sul, todavia: talvez por desconhecimento do preceito maçónico que, inicialmente, assim distribuiu os lugares dos mortos; já que, na tradição maçónica regular, o Norte é a orientação reservada àqueles que ainda não capazes de ver a Luz, posto que o Sol, na sua trajectória de Oriente para Ocidente, não brilha no Norte. À vista disso, é frequente as lojas maçónicas não terem quaisquer janelas viradas para Norte.

No interior do Jazigo somos recebidos por um magnifico trabalho do celebrado Canova, talhado em mármore de Carrara: é o cenotáfio do 1º Duque de Palmela que, como já referimos, se encontra enterrado em Roma.

No centro da capela, iluminadas pela luz que entra por duas janelas, um par de magnificas peças escultóricas de Teixeira Lopes tomam conta do espaço, construidas por ordem do 3º Duque de Palmela.
Uma dessas peça tem um cunho claramente inacabado, mostrando mãos pesadas, grossas e pouco trabalhadas, numa figura feminina de traços perfeitos. São várias as interpretações que essas mãos inacabadas suscitam: há quem considere que ficaram propositadamente inacabadas e há quem defenda que o autor não conseguiu concluí-las.
Considerando a qualidade e beleza de toda a peça, mais a minúcia com que estão trabalhadas as mãos das restantes personagens, tenho dificuldade em acreditar que Lopes deixasse esta imperfeição de modo intencional, mas Moita Flores, por exemplo, no livro Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário, justifica-a com base na morte do escultor.

Antes de descer à cripta é possível observar um trabalho de Célestin Calmels capaz de tirar a respiração. Outra figura feminina, ao lado do pequeno altar da capela carregado de castiçais dourados e um Bíblia aberta, está uma porta fechada onde uma perfeita mulher de mármore parece carpir a morte do jovem filho da Duquesa de Palmela.
O drapeado da túnica que envolve a mulher é fluido e parece capaz de se mover com o nosso toque.

Descidos os três degraus que nos conduzem à câmara principal da cripta, aguarda-nos um espaço pequeno, que um tecto amarelo torrado com inúmeras papoilas dormideiras pintadas a azul - símbolo do sono eterno, da eternidade - faz parecer ainda mais pequeno. Em redor dessa câmara, abre-se um corredor que a contorna, apresentado doze nichos rasgados na pedra que conservam os caixões que contém os restos mortais da família Palmela.

Visitar o Jazigo Palmela é uma experiência única. Recomenda-se vivamente.




Imagens: Jazigo dos Duques de Palmela II

José Joaquim Teixeira Lopes (Α:1837 - Ω:1918)


Imagens: Jazigo dos Duques de Palmela I

Célestin Anatole Calmels (Α:1822 - Ω:1906)


1.4.11

Jóias de Luto do Século XXI

Como já aqui falámos, durante o século XIX a joalharia de luto era uma realidade. Construída como objecto de memória, recordando os mortos com recurso à simbologia ou utilizando madeixas de cabelo dos falecidos, era indispensável na celebração do luto na época vitoriana.
Apesar de ter sido muito comum nessa altura - e prova disso é a quantidade e diversidade de artefactos que chegaram até aos nossos dias - a produção de jóias de luto perdeu-se com a chegada do século XX, resultado de uma forma completamente diferente de vivênciar a Morte.

No século XXI esta prática regressou num novo formato - menos óbvio - onde os restos mortais resultantes da cremação dos cadáveres podem ser utilizados como base carbónica para a produção de diamantes sintéticos.
Este é uma das formas, não de eliminação de cadáver, como também já falámos antes, mas sim um forma de tratamento de parte as cinzas resultantes da cremação.

Até há pouco tempo pensei que esta prática estivesse ainda restrita à América, onde apareceu, mas aparentemente também por cá é já possível guardar a memória dos nossos entes queridos numa dessas pedras eternas, uma vez que a agência Servilusa já disponibiliza este serviço.
Neste caso, e tal como na joalharia de luto do século XIX, a matéria prima são apenas madeixas de cabelo.

O processo de sintetização destes diamantes é curioso e a LifeGem descreve-o.
Aparentemente, durante o processo de cremação, o carbono existente nas cinzas é captado sobre a forma de um pó escuro, que posteriormente aquecido para criar grafite. Essa grafite é tratada em laboratório e utilizada na sintetização dos diamantes.

Segundo a LifeGem, a captação de carbono durante o processo de cremação não impede a produção de cinzas (cremains) e de um mesmo cadáver podem fazer-se diversas pedras. Também os animais de estimação podem ter este tratamento.

Sem dúvida, estamos perante joalharia de luto do século XXI.


27.3.11

Cemitério de South Park Street

Durante a primeira metade do século XIX, os cemitérios românticos (vitorianos) espalharam-se por toda a Europa, desenhados por arquitectos conceituados que procuravam recriar os mitológicos espaços de Arcádia e Campos Elísios, concebendo belíssimos cemitérios-jardins.
Rapidamente, o cemitério parisiense de Père Lachaise (1803) foi tornado como modelo, sendo a sua planta distribuída, estudada e utilizada como base de trabalho numa série de cemitérios pela Europa fora; como foi o caso do nosso cemitério dos Prazeres (1833), por exemplo.

A verdade é que o "primeiro" cemitério vitoriano não apareceu na Europa, mas na Ásia: mais precisamente, na Índia.

Em 1690, a Companhia das Índias Orientais fundou a cidade de Calcutá. Nos anos que se seguiram, a afluência de europeus a esta zona da Índia foi aumentando, de acordo com os volumes de negócios. Alguns regressaram aos seus países de origem, mas outros foram ficando por lá.
Em 1767 foi fundado um cemitério para a inumação dos europeus que habitavam em Calcutá: o cemitério de South Park Street.
Fundado por motivos funcionais e de higiene, antecede toda a reforma cemiterial europeia.

Inspirados em monumentos funerários indianos, construções persas, egípcias e muçulmanas os monumentos que enchem este cemitérios não foram desenhados por arquitectos, mas construidos pelos próprios coveiros, segundo indicações dos proprietários.
Sãos construções de tijolo, rebocadas com estuque, pintadas e decoradas com colunas partidas, obeliscos, pirâmides.

Em 1830 o cemitério estava sobre-lotado e deixou de ser utilizado.

O material usado nas construções dos monumentos torna a conservação destes numa tarefa complicada, mais ainda se tivermos em consideração o clima húmido e quente dessa zona da Índia.

Sobre ele, escreveu Rudyard Kipling:

Lower Park Street cuts a great graveyard in two. (...)

The eye is ready to swear that it is as old as Herculaneum and Pompeii. The tombs are small houses. It is as though we walked down the streets of a town, so tall are they and so closely do they stand — a town shrivelled by fire, and scarred by frost and siege. Men must have been afraid of their friends rising up before the due time that they weighted them with such cruel mounds of masonry. Strong man, weak woman, or somebody’s ‘infant son aged fifteen months,’ for each the squat obelisk, the defaced classic temple, the cellaret of chunam, or the candlestick of brickwork — the heavy slab, the rust-eaten railings, whopper jawed cherubs, and the apoplectic angels.



22.3.11

Caixões Dançarinos

Estava-se no final do século XVIII e em Christ Church, nos Barbados, quando a abastada família de plantadores Wallrond mandou construir um mausoléu de família, escavado na rocha e fechado com uma maciça pedra de mármore.

Em 1807 foi a enterrar o primeiro e único elemento da família Wallrond a ser depositado no jazigo: Thomasina Goddard, fechada num simples caixão de madeira.
O jazigo foi vendido a outra família de plantadores, os Chase, no ano seguinte.
O Coronel Thomas Chase era o patriarca dessa família e, corriam rumores, era considerado um homem bastante cruel.

Nesse mesmo ano, a pequena Mary Ann, filha mais nova de Thomas Chase, com dois anos de idade, foi colocada no jazigo, num caixão de chumbo. Algumas fontes relatam que a morte de Mary Ann teve origem num ataque violento de seu pai e que Dorcas, a irmã mais velha de Mary Ann, se deixou morrer de fome - empurrada para uma depressão precoce, também por Thomas Chase - e em 1812 foi também depositada no jazigo, ao lado da irmã, num caixão de chumbo.
Como sempre, o jazigo foi fechado (sendo necessária a força de vários homens para colocar a pedra no sitio) e selado com cimento.

Ainda em 1812, Thomas Chase morreu. Foi feito um caixão trabalhado, pesando cerca de cem quilos, que teve de ser transportado por oito homens, e o jazigo de família mandado abrir para colocar o pai das meninas. O interior surpreendeu toda a gente: os caixões estavam fora do sitio, desarrumados, e os acompanhantes do funeral ficaram indignados com a perspectiva do jazigo ter sido atacado por ladrões de sepulturas. Rapidamente, a ausência de valores no interior do jazigo, o facto dos caixões não terem sido violados e da pedra da entrada se encontrar selada com cimento, fez com que a população pusesse de lado essa hipótese.

Em 1816 o túmulo foi de novo aberto: todos os caixões tinha sido movidos; os das duas meninas estavam voltados com a tampa para baixo e até o pesado caixão de Thomas Chase estava fora de sítio, encostado verticalmente numa das paredes da cripta.
Os caixões voltaram a ser colocados nos seus locais iniciais e a enorme pedra mármore descida sobre a entrada do túmulo.

Em menos de dois meses o túmulo voltou a ser aberto para nova inumação; reuniu-se uma multidão em torno do talhão da família Chase e a pedra e o cimento foram demoradamente examinados, em busca de sinais de arrombamento. Aberto o túmulo, a desordem reinava no seu interior. O caixão de madeira de Thomasina Goddard estava dramaticamente danificado.

Parecia impossível encontrar uma explicação: não havia sinais de inundação no interior da cripta, tremores de terra teriam afectado também os jazigos vizinhos (o que não tinha acontecido) e se a cripta tivesse sido aberta e violada teriam sido encontrados vestígios.

Mais uma vez, o jazigo foi arrumado e fechado.

Em 1819, ao ser novamente aberto, todos os caixões - com excepção do decrepito caixão de madeira de Goddard - tinha sido movidos.

Foi chamado um padre para investigar o túmulo e até Sir Arthur Conan Doyle abordou o assunto, dizendo que se tratavam de forças sobrenaturais que moviam as urnas por estas serem feitas de chumbo, o que impedia a natural decomposição dos corpos.

Os caixões foram, mais uma vez, arrumados nos seus devidos lugares e o Governador de Barbados, Lord Combermere mandou cobrir o chão do jazigo com areia fina e selar a pedra com cimento, onde gravou o seu selo pessoal.
Algum tempo depois foram-se relatadas histórias de ruídos estranhos, vindos do interior da cripta e em 1820 o Governador mandou abrir o túmulo para ver o que se passava no seu interior.

A pedra não tinha sido movida, pois os selos do Governador encontravam-se intactos, e a areia continuava lisa e intocada, mas os caixões estavam, mais uma vez, fora do sítio, alguns deles voltados ao contrário.

O Governador mandou esvaziar a cripta e enterrar os caixões noutro local.

A cripta ainda se encontra vazia e, até agora, ninguém conseguiu encontrar a solução para o mistérios dos caixões dançarinos da família Chase.