Documentário disponível na página da PBS sobre o trabalho da agência funerária Lynch & Sons Funeral Directors, que operam numa pequena cidade.
"We are the first ones to respond, the last ones to leave..."
For a period of time, while we believe it to be perfectly still,
lifeless flesh responds, stirs and contorts in a final macabre ballet.
Are these spasms merely erratic motions
or do they echo the chaotic twists and turns of a past life?
Segundo a lei, os cadáveres dos criminosos sujeitos a pena de morte eram entregues aos anatomistas para dissecação, mas todos os outros corpos tinha direito a um enterramento religioso e eram poupados a essas práticas, mal vistas por todos os credos vigentes: dissecar um corpo era visto como uma profanação; um castigo, pelo que estava reservado apenas aos realmente maus.
mort safe ou as casas de mortos (pequenas construções de pedra, no interior dos cemitérios, sem janelas e acedidas apenas por uma pequena e pesada porta de madeira, normalmente iluminada e vigiada, e que serviam para manter os corpos durante as primeiras semanas, de forma a poderem ser inumados apenas quando se encontravam num estado de decomposição avançada).
Em França, era prática, desde os tempos da Revolução Francesa, enviar os corpos dos doentes que morriam nos hospitais para dissecação, sempre que estes não eram reclamados por familiares nas vinte e quatro horas seguintes.

"Em 12 de Julho de 1824, o sol iluminou uma fantástica procissão. Enquanto a multidão, silenciosa e triste, se juntava para ver o cortejo, cavalos negros de ébano, enfeitadas com plumas também negras, puxavam um grande carro funerário através das ruas de Londres. Logo atrás, seguiam três carruagens com os amigos fiéis do morto. Depois, um a um, passaram os quarenta e sete coches das famílias mais nobres de Inglaterra; símbolos bizarros no funeral de um poeta homenageado pelo Mundo, mas desprezado pelo seu próprio país, os choches iam vazios. Nas casas ao longo do caminho, as mulheres respeitáveis apenas ousavam espreitar o estranho ritual por entre as cortinas das janelas. Mesmo depois de morto, George Gordon, Lord Byron, era ainda evitado pela alta sociedade.
Durante quatro dias, o carro funerário, acompanhado agora somente pelos cangalheiros, prosseguiu solenemente para norte em direcção a Nottingham. Nas pequenas vilas do caminho, plebeus respeitosos juntavam-se para o ver passar, sem dúvida surpresos por ter sido negada a este poeta, o mais popular da época, a honra de ser sepultado no Canto dos Poetas da Abadia de Westminster. Em vez disso, o seu corpo seria inumado no jazigo de família, numa igreja humilde perto da casa dos seus antepassados.
Tendo morrido aos trinta e seis anos, durante mais de quinze Byron fora adorado e desprezado, temido e emulado."
Mais do que criar uma simbologia própria, ou abraçar parte da simbologia promovida no século XIX, durante os anos do Estado Novo, a Morte foi apagada - escondida.

Ao contemplar este talhão percebe-se a capacidade de manipulação das políticas e propagandas do Estado Novo.
O espaço, apesar de visivelmente já não estar abandonado, continua com o glamour oferecido pela decandência de décadas de clima agreste e negligência.
representar um cão real, que uivava enquanto o dono se afogava - são realmente imponentes.
Segundo a informação fornecida no local, existem cinco criptas sob a igreja, às quais é possível aceder por portas de metal, dispostas em volta da igreja.
A cripta onde os corpos mumificados se encontram expostos é mais pequena, contendo apenas duas câmaras de cada lado. Aparentemente, as visitas a estes cadáveres fazem-se desde a época vitoriana, sendo que se julga que o próprio Bram Stoker (autor do romance Dracula, publicado em 1897) as visitou na companhia da sua família.
Na segunda cripta, com um corredor central mais longo, contendo mais câmaras, podem ser vistos os caixões dos irmãos Sheare, heróis da luta pela independência da Irlanda, presos pelas tropas britânicas devido ao seu envolvimento na revolução de 1798, e que foram condenados à morte, tendo sido enforcados, esvicerados e esquartejados.

Este ano, as recomendações do Mort Safe são apenas três: um de ficção e dois livros de não ficção."Quando Elspeth Noblin morre de cancro deixa o seu apartamento em Londres às sobrinhas Julia e Valentina, que nunca chegou a conhecer. As jovens, gémeas idênticas e inseparáveis desde a nascença, decidem mudar-se para lá, na esperança de também conhecerem um pouco mais da história da sua família. Mas o que vão encontrar no prédio com vista para o famoso Highgate Cemetery é muito mais obscuro do que contavam enfrentar… Uma deliciosa história sobre o amor, a identidade, os laços que nos unem e a força da vida, que transcende todas as barreiras. "
"A morte é um assunto de interesse permanente em todas as culturas do mundo. O próprio acto de morrer e os rituais que o rodeiam são extremamente variados e projectam uma luz fascinante sobre as culturas de que fazem parte. Douglas J. Davies, internacionalmente conhecido como um dos maiores especialistas neste campo da história, aborda alguns dos aspectos mais significativos da morte - o acto da própria morte em si, o luto, os funerais, as interpretações artísticas da morte, os memoriais, o medo da morte e os desastres/tragédias - e analisa-os numa abrangente história acerca das diferentes atitudes do homem perante a morte."
"A seguir à história da família, Philippe Ariès consagrou as suas pesquisas à história das atitudes do homem ocidental perante a morte. O que este historiador nos apresente aqui constitui o essencial das suas descobertas: como se passou, lenta mas progressivamente, da morte familiar, «domesticada» (na Idade Média), para a morte repelida, maldita, «interdita» (hoje em dia). Fugir da morte é a tentação do Ocidente."
Uma das áreas mais facilmente reconhecíveis nos nossos cemitérios é o clero.
além de existirem talhões privados para determinadas ordens, ou a utilização de simbologia especifica, como determinados tipos de cruzes ou outros elementos decorativos, é bastante comum a representação da Bíblia (utilizando para isso um livro, normalmente fechado) e da estola.
Fernão Teles de Meneses (Α:1530 - Ω:1605) foi o 28º Governador da Índia. Quando morreu, Maria de Noronha, sua esposa, mandou construir um magnifico túmulo, em mármore rosa e assente em majestosos elefantes indianos, esculpidos em mármore negro.
mesmo local, passando a fazer parte de uma dessas residências: um dos novos moradores partilhou um quarto com os restos mortais de Teles de Meneses.
O túmulo tem uma forma piramidal que invoca as formas dos túmulos Egípcios ou Hindus - o que não surpreende, considerando a biografia de Teles de Meneses.Aqui jaz Fernão Teles de Meneses filho de Bras Teles de Meneses, Camareyro mor e Guarda mor e Capitão dos Ginetes, q foi do Iffãte D. Luis, e de D. Catarina de Brito sua molher, o qual foy do Cõselho do Estado D`El Rey nosso Sõr. E governou os Estados da India e o Reyno do Algarve e foy Regedor da justiça da casa da suplicação e Presidente do Conselho da India e partes ultramarinas. E a sua molher D. Maria de Noronha filha de D. Frãcisco de Faro Vedor da fazenda dos Reys D. Sebastião e D. Anrique, e de D. Mesia de Albuquerque sua primeyra molher: os quais fundaram e dotarão esta casa da Provação da Compª de Jesu, e tomarão esta Capella mor pêra seu iazigo. Falleceo Fernão Teles de Mñs a XXVI. De Novº de M.D.C.V. e de Mª de Nr. A VII de Março de MDCXXIII.
cemitério, mas é difícil para nós, ocidentais, perceber isso. A simbologia funerária a que estamos habituados tem uma raiz claramente cristã, onde existem anjos, cruzes e uma arquitectura bastante homogénea, apesar da sua diversidade.
tinham para cobrir-se era uma faixa publicitária de um partido político (ou de uma marca publicitária, nem sei).
O documentário A Cidade dos Mortos é muito interessante e permite-nos ver um pouco do dia-a-dia das famílias que habitam aquele espaço mas, apesar de tudo, é simples esquecermos que se trata de um cemitério.