3.8.11

Livro: Sobre a História da Morte no Ocidente

Sobre a História da Morte no Ocidente desde a Idade Média é um livro que recomendo sem hesitações; composto por um conjunto de comunicações e ensaios escritos pelo historiador e medievalista francês Philippe Ariès (Α:1914 - Ω:1984), este livro, publicado em França em 1975, já vai na 4ª edição portuguesa, pela Teorema.

Neste trabalho, Ariès define quatro diferentes posturas da sociedade em relação à Morte e caracteriza-as detalhadamente através de exemplos.

Começa por apresentar-nos aquilo que ele designa por Morte Domesticada, a prática reinante durante a primeira Idade Média em que não só o moribundo tinha conhecimento do seu final próximo como o preparava cuidadosamente, reunindo amigos e familiares em torno do leito de morte e fazendo o seu testamento.

Ainda que tenham existido alterações ao longo dos tempos, é a partir dos séculos XI e XII que esta Morte Domesticada se transforma na Morte de Si Próprio; se até então o homem concebia a morte como a passagem para um estádio onde deveria residir até à chegada do Juízo Final - onde as suas acções em vida seria analisadas, pesadas e lhe seria então atribuída a eternidade no Paraíso ou no Inferno - nesta fase passa a conceber que esse juízo e decisão ocorrem no momento da morte.
As pestes que grassaram pela Europa durante a Idade Média acabaram por levar à criação dos Ars Moriendi - a Arte de Bem Morrer - publicados nos séculos XV e XVI.
Também é interessante perceber as alterações que vão sucedendo aos rituais fúnebres durante a Idade Média, uma vez que estes passam de laicos a terem uma intervenção cada vez maior por parte da Igreja, com a criação da Missa de Corpo Presente, por exemplo, ou o acompanhamento dos funerais por padres, frades e outros elementos da Igreja.

É já no século XVIII que a Morte de Si Próprio dá lugar à Morte do Outro, onde a saudade e a lamentação vão possibilitar o desenvolvimento do culto dos mortos nos séculos que se seguiram e cujo exemplo mais imediato é a criação dos cemitério românticos (vitorianos).
Esta conversão da Morte de Si Próprio na Morte do Outro está assente em duas grandes alterações que ocorreram no século XVIII: a complacência com a ideia da morte e a alteração da dinâmica entre o moribundo e os seus familiares e amigos, inclusive na forma como os testamentos passam a ser feitos.

A quarta e última fase é a da Morte Interdita: escondemos os nossos moribundos em hospitais e lares onde eles morrem sozinhos, criticamos o culto dos mortos, as visitas aos cemitérios, passamos a adoptar a cremação por esta ser mais definitiva, evitamos chorar em público e temos horror do luto.
É nesta fase que o autor nos coloca.

Todos os ensaios tem inúmeros exemplos e citações, que ilustram perfeitamente os argumentos de Ariès e nos ajudam a perceber as suas conclusões sem dificuldade.
Existem ainda vários ensaios dedicados apenas a praticas específicas ou curiosidades ligadas à morte, aos mortos ou às honras fúnebres nas diversas fases, como Os Milagres dos Mortos, Huizinga e os Temas Macabros, A Vida e a Morte para os Franceses do Nosso Tempo, etc.

E talvez seja aqui que vou colocar o único defeito que tenho a apresentar relativamente ao livro: tem uma componente francesa muito forte.
Ainda assim, mesmo quando Ariès fala especificamente sobre a cultura e pratica francesas, todas as observações e conclusões são-nos suficientemente próximas para que a leitura se faça sem hesitações e a informação nos seja útil.

Existem mais obras deste autor que posso recomendar, em especial The Hour of Our Death - onde o autor volta a dissertar sobre estas quatro fases com maior profundidade, até porque o este é de 1981, ou seja, seis anos depois da publicação de Sobre a História da Morte no Ocidente - mas não encontrei mais nenhum publicado em português.

Termino agradecendo à editora Teorema a publicação de mais um livro corajoso: acredito que os livros sobre a morte não serão os mais procurados nas livrarias, mas é importante que estas obras sejam disponibilizadas em português.

21.7.11

Os Homens do Saco Escoceses

No seguimento do anterior artigo sobre os Homens do Saco, onde é apresentado um resumo histórico da actividade dos Ladrões de Corpos em Inglaterra, Irlanda e Escócia, fica a ligação para o site Echoes of the Resurrection Men da responsabilidade do professor Martyn Gorman da Universidade de Aberdeen, na Escócia.

Este excelente recurso disponibiliza um conjunto de mapas, baseados na tecnologia Google Maps, que permite perceber padrões de comportamento dos ressurreicionistas, uma vez que estão lá assinalados os Mort Safe que podem ser encontrados nos cemitérios escoceses, assim como a localização das Escolas de Anatomia (principais clientes dos Homens do Saco), os locais onde foram erguidas Torres de Vigia ou Casas de Mortos (utilizadas para manter os cadáveres e aguardar os primeiros sinais de decomposição, de forma a garantir a sua inutilidade para os ladrões de corpos, uma vez que estes necessitavam de espécimes frescos).
Foram ainda constituídos mapas relativos a Inglaterra e à Irlanda.
É possível aceder a fotografias dos artefactos assinalados e a uma base de dados com informação diversa, o que enriquece ainda mais este fantástico site.

Um recurso a usar e abusar e, claro, divulgar.

19.7.11

Nós

I

Foi quando em dois verões, seguidamente, a Febre
E a Cólera também andaram na cidade,

Que esta população, com um terror de lebre,

Fugiu da capital como da tempestade.


Ora, meu pai, depois das nossas vidas salvas

(Até então nós só tivéramos sarampo).
Tanto nos viu crescer entre uns montões de malvas

Que ele ganhou por isso um grande amor ao campo!


Se acaso o conta, ainda a fronte se lhe enruga:
O que se ouvia sempre era o dobrar dos sinos;
Mesmo no nosso prédio, os outros inquilinos

Morreram todos. Nós salvámo-nos na fuga.


Na parte mercantil, foco da epidemia,

Um pânico! Nem um navio entrava a barra,

A alfândega parou, nenhuma loja abria,

E os turbulentos cais cessaram a algazarra.


Pela manhã, em vez dos trens dos baptizados,

Rodavam sem cessar as seges dos enterros.
Que triste a sucessão dos armazéns fechados!

Como um domingo inglês na city, que desterros!


Sem canalização, em muitos burgos ermos
Secavam dejecções cobertas de mosqueiros.
E os médicos, ao pé dos padres e coveiros,

Os últimos fiéis, tremiam dos enfermos!


Uma iluminação a azeite de purgueira,

De noite amarelava os prédios macilentos.

Barricas de alcatrão ardiam; de maneira

Que tinham tons de inferno outros armamentos.


Porém, lá fora, à solta, exageradamente

Enquanto acontecia essa calamidade,

Toda a vegetação, pletórica, potente,

Ganhava imenso com a enorme mortandade!


Num
ímpeto de seiva os arvoredos fartos,
Numa opulenta fúria as novidades todas,

Como uma universal celebração de bodas,

Amaram-se! E depois houve soberbos partos.


Por isso, o chefe antigo e bom da nossa casa,

Triste de ouvir falar em órfãos e em viúvas,

E em permanência olhando o horizonte em brasa,
Não quis voltar senão depois das grandes chuvas.


Ele, dum lado, via os filhos achacados,

Um lívido flagelo e uma moléstia horrenda!

E via, do outro lado, eiras, lezírias, prados,

E um salutar refúgio e um lucro na vivenda!


E o campo, desde então, segundo o que me lembro,

É todo o meu amor de todos estes anos!
Nós vamos para lá; somos provincianos,

Desde o calor de Maio aos frios de Novembro!

(...)

III

Tínhamos nós voltado à capital maldita,

Eu vinha de polir isto tranquilamente,

Quando nos sucedeu uma cruel desdita,

Pois um de nós caiu, de súbito, doente.


Uma tuberculose abria-lhe cavernas!

Dá-me rebate ainda o seu tossir profundo!
E eu sempre lembrarei, triste, as palavras ternas,
Com que se despediu de todos e do mundo!

Pobre rapaz robusto e cheio de futuro!

Não sei dum infortúnio imenso como o seu!
Vi o seu fim chegar como um medonho muro,

E, sem querer, aflito e atónito, morreu!


De tal maneira que hoje, eu desgostoso e azedo

Com tanta crueldade e tantas injustiças,

Se inda trabalho é como os presos no degredo,

Com planos de vingança e ideias insubmissas.


E agora, de tal modo a minha vida é dura,

Tenho momentos maus, tão tristes, tão perversos,

Que sinto só desdém pela literatura,

E até desprezo e esqueço os meus amados versos!

13.7.11

Monumentos Memoráveis: Torre de O'Connell

O maior cemitério de Dublin é o cemitério Prospect, em Glasnevin, na margem norte do rio Liffey.
A localização do cemitério acabou por rebaptizá-lo e ele é hoje conhecido como Glasnevin.

Fundado em 1832, rapidamente se tornou no cemitério de eleição dos irlandeses católicos, ficando o cemitério de Mount Jerome, situado na margem sul, para o uso dos protestantes.

Sombreando o portão principal, ao lado da capela, uma enorme torre redonda de cinquenta e um metros de altura eleva-se muito acima dos demais memoriais, sendo mesmo a mais alta torre circular existente em toda a Irlanda.

A Torre O'Connell foi desenhada por George Petries em honra de Daniel O’Connell (Α:1775 - Ω:1847), um reconhecido líder político irlandês que ficou conhecido como "O Libertador" e ao qual foi dedicada a principal avenida da cidade.

Tendo morrido em Génova, durante uma peregrinação a Roma, Daniel O'Connell pediu que o seu coração fosse aí guardado, mas que o corpo fosse transportado de regresso a Dublin, na amada Irlanda, e enterrado no cemitério católico de Glasnevin.
Em 1869, o corpo foi transladado do local original para uma cripta sob a enorme torre, construidas em sua memória.

A torre está rodeada de um fosso circular, ao qual é possível aceder descendo uma escadaria estreita.
Na parede externa do fosso, à semelhança do que pode ser visto nos cemitérios londrinos (recordo o famoso Circle of Lebanon no cemitério de Highgate), existe um conjunto de portas de metal que permitem o acesso a criptas privadas.
No anel central, sob a enorme torre, existe uma cripta aberta, guardada apenas por uma grade de metal, onde se pode ver o caixão que contem os restos mortais do herói da cidade.

Mais tarde, quando a capela foi construida, tiveram o cuidado de construir o campanário no mesmo formato circular, no entanto, é impossível competir com o gigantismo da Torre de O'Connell.

11.7.11

Um Cadáver

Lembras-te, meu amor, de uma coisa que vimos
Nessa manhã de Verão, suave:
Na curva do caminho um pútrido cadáver,
Num leito de pedras, sozinho,

De pernas para o ar, qual lúbrica mulher,
A arder, transpirando venenos,
Abria de uma forma cínica, insolente,
Cheio de exalações, o ventre.

Na podridão brilhava o sol com a certeza
De quem parecia cozinhá-lo,
Pra devolver com juros à mãe-natureza
Tudo o que ela um dia juntara;

E o céu contemplava a carcaça soberba,
Como flor a desabrochar.
Era um fedor tão forte, que até sobre a erva
Julgaste que ias desmaiar.

E as moscas zumbiam no ventre asqueroso
De onde saíam escuras tropas
De larvas, que escorriam num fluido viscoso
Por entre aqueles vivos trapos.

Tudo aquilo subia a descia, qual vaga
Que num momento rebentasse;
Era como se o corpo, num alento vago,
Noutros milhões ressuscitasse.

E daí emanava estranha melodia,
Como de água que corre, do vento,
Ou do grão que o moleiro no seu movimento
Agita e revolve no crivo.

As formas apagavam-se, mera ilusão,
Um esboço que não se destaca
Numa tela esquecida, e que o artista acaba
Somente pla recordação.

Atrás das rochas vi uma cadela inquieta
Fixando em nós um mau olhar,
À espera de ir buscar à ossada abjecta
O pedaço que ali deixára.

- No entanto serás como esta porcaria,
Como esta horrível infecção,
Ó estrela dos meus olhos, sol da minha vida,
Tu, meu anjo, minha paixão!

Sim! rainha das graças, assim! quando fores,
Pouco depois da extrema-unção,
Repousar sobre a erva e as carnudas flores,
Ganhar bolor no teu caixão.

Então dirás - ó bela! - aos vermes que comerem
Com muitos beijos o teu rosto,
Ter eu guardado a forma e a divina essência
Dos meus amores já decompostos!


10.7.11

Livros: Memento Mori

Durante a Idade Média praticou-se o chamado enterramento ad sanctos, ou seja, o mais próximo possível de relíquias ou de altares, o que significa que as inumações eram realizadas no interior das igrejas, nos seus átrios e claustros.

Esta prática contrariava o costume deixado pelos romanos de inumar-se longe dos locais povoados; prática também defendida pelo cristianismo primitivo.

As inumações ad sanctos foram abandonadas no século XVIII, em favor de uma política mais próxima da romana, seleccionando-se locais distantes das zonas populosas para se constituírem locais específicos de enterramento: os nossos cemitérios românticos (vitorianos) que, por vários motivos, se tornaram locais seculares, ainda que continuem a ocorrer funerais religiosos.

Recordo que a língua inglesa permite distinguir dois tipos diferentes de cemitérios: graveyard ou churchyard e cemetery. O primeiro usa-se, normalmente, para designar os terrenos em volta das igrejas, onde eram realizadas as inumações até ao final século XVIII, início do século XIX, e o segundo é utilizado relativamente aos cemitérios românticos, do século XIX em diante.

Um dos vários livros de fotografia da autoria do excelente fotógrafo Simon Marsden chama-se Memento Mori e, ainda que seja considerado um álbum de fotografia cemiterial, chamo a atenção para o facto das imagens deste livro serem de igrejas e átrios de igreja ingleses; ou seja, os locais onde eram realizadas as inumações ad sanctos.

As imagens são, como sempre, de uma beleza etérea, quase sobrenatural, onde os exteriores se apresentam no preto e branco exótico, característico dos trabalhos do autor, graças ao uso da técnica de infravermelhos.
Os interiores são aqui apresentados a cor, o que não acontece com frequência nos livros de Marsden, mas - com a excepção dos vitrais, que nos são apresentados em todo o seu esplendor colorido e luminoso - o fotógrafo apresentar-nos imagens quase monocromáticas de grande riqueza; contrariamente ao que, por vezes, acontece na fotografia cemiterial, o uso da cor não tem o efeito distractor que nos leva a ignorar a peça de arte, em favor de um ramo de flores coloridas, por exemplo.

Para além das imagens, Marsden escolheu um conjunto de citações de autores conhecidos e que escreveram sobre a Morte ou, pelo menos, trataram-na sem embaraço nos seus trabalhos, como Charles Dickens, Emily Brontë, Emily Dickinson ou Edgar Allan Poe.

Ainda que não seja o meu trabalho favorito de Simon Marsden é, para todos os fãs de fotografia cemiterial, uma obra a adquirir.


3.7.11

Falecidos Famosos: Jim Morrison

Ninguém sabe exactamente o que aconteceu na madrugada de 3 de Julho de 1971, em Paris, no terceiro andar direito do nº17 da rua Beautreillis.

O que se sabe é que uma certidão de óbito foi assinada, declarando que James Douglas Morrison (Α:1943 - Ω:1971) falecera, devido a uma paragem cardíaca.

Nascido no seio de uma família de tradição militar, Morrison e os irmãos mudavam de casa com frequência, sempre que o pai, oficial da marinha norte-americana, era destacado para uma nova base. Não era fácil manter amizades nestas condições, mas o jovem Morrison contava sempre com os seus livros, que o acompanhavam para todo o lado.

Aos quatro anos foi confrontado com um acidente de automóvel que, apesar de recordar de forma muito diferente dos restantes ocupantes da viatura, o marcou profundamente.
Morrison dizia ter sido possuído pelo espírito de um velho xamã que morria na berma da estrada e que isso lhe mudara o destino.
Várias foram as canções e poemas que saíram das mãos de Morrison influenciadas por este evento.

Ao terminar o liceu, Morrison mudou-se para Los Angeles onde ingressou na universidade, para estudar cinema.
Os loucos anos sessenta encontram Morrison a viver - a sobreviver - na ruas de Venice Beach, tomando LSD, dormindo no telhado de apartamentos de amigos e escrevendo. Entre os poemas dessa fase encontram-se muitas das letras das primeiras músicas dos The Doors, banda que irá criar com um colega de universidade chamado Ray Manzarek.

Mais velho que Morrison, Manzarek tocava piano desde miúdo e tinha uma banda com os irmãos, mas ao ouvir aquilo que mais tarde se transformaria em Moonlight Drive, percebeu o potencial das criações de Morrison e propôs que formassem uma banda.

Assim nasceram os The Doors.
O nome, inspirado por um trabalho de Aldous Huxley, vinha originalmente de uma linha de um poema de William Blake.

Morrison dizia ouvir concertos completos na cabeça e tudo o que fazia era registar as músicas que ouvia, antes que estas lhe fugissem. Eram bem conhecidos os excessos de Morrison com as drogas psicotrópicas e o álcool.

Juntaram-se à banda Jonh Densmore e Robby Krieger, respectivamente baterista e guitarrista. Uma das paixões de Krieger - compositor de algumas das mais conhecidas canções da banda, como Light My Fire - o efeito de bottleneck, que torna o som da guitarra quase etéreo, ajudou a dar corpo a Moonlight Drive, a música que, segundo algumas más línguas, conta a história de um assassinato.

Ninguém sabe exactamente como Jim Morrison e Pamela Courson se conheceram, mas todas as versões os colocam juntos desde os primeiros concertos da banda, quando uma Pam acabada de sair do condado de Orange entrou num dos bares de Venice Beach em que os The Doors actuavam.
Uma das versões mais coloridas conta que Densmore a viu "primeiro," mas Pam apaixonou-se pelo futuro Rei Lagarto, um Morrison ainda envergonhado, que cantava no palco de olhos fechados e costas voltadas para o público. Quando Jim se aproximou da mesa que Pam e uma amiga partilhavam com Densmore, foi amor à primeira vista.
Diz-se que é esse o principal motivo das repetidas incompatibilidades entre Morrison e Densmore: Densmore nunca perdoou a Morrison ter sido ele a "ficar com a miúda".
Os amigos do casal, especialmente Manzarek, compararam Jim e Pam ao trágico casal de Shakespeare, Romeu e Julieta.

Durante uma actuação no famoso bar Whisky a Go Go, os The Doors foram finalmente descobertos por Paul Rothchild da Elektra Records.

Seguiram-se os álbuns, carregados de sucessos. A fama foi quase imediata e Morrison passou a ser reconhecido na rua.
As fãs arrastavam-se aos seus pés e, ao longo dos anos, Morrison foi coleccionando casos atrás de casos, alguns com outras personalidades conhecidas, como Nico de Velvet Underground.
Um dos casos mais famosos e discutidos foi com Patricia Kennealy, jornalista e critica de rock, que afirma ter casado com Morrison em 1970, por meio de um casamento pagão que não chegou a ser registado junto das entidades oficiais.

No entanto, quando em Março de 1971, após o lançamento de L.A. Woman - o último álbum de estúdio da banda - Morrison, decide abandonar os Estados Unidos e refugiar-se em Paris, leva consigo Pam Courson.
O objectivo de Morrison era afastar-se da música e aproveitar o anonimato da cidade francesa para regressar à escrita.

Pam chamava-lhe o seu poeta e, pouco tempo antes de morrer, Morrison disse a um jornalista que, aos 27 anos, estava demasiado velho para continuar a ser uma estrela do rock.
A vontade de mudança, a ansiedade pela liberdade e espaço de criação sem as amarras de uma banda, pareciam fazer de Paris um novo começo, mas em vez disso, a cidade da Luz foi apenas o final da história.

A versão mais comum diz que Morrison se sentiu mal durante a noite, com dificuldades de respiração e náuseas, por isso levantou-se da cama e foi tomar um um banho quente, esperando sentir-se melhor.
Pam acordou por volta das três horas da manhã e viu que estava sozinha na cama. Jim ainda não tinha regressado; levantou-se e foi procurar Morrison, encontrando-o no banho, imerso em água tépida, a cabeça repousando na borda da banheira.
Chamou-o e tentou acordá-lo.
Quando não obteve resposta, tentou tirar Morrison da banheira, mas não foi capaz. Consta que Pam ligou a Alain Ronay e Agnès Varda, que a ajudaram a chamar a policia e a tratar das questões legais.

Sem uma autópsia e enterrado rápida e anonimamente num pequeno e escondido talhão no canto do poetas no cemitério parisiense de Père Lachaise, a lenda de Morrison cresceu.
Há quem diga que o cantor simulou a própria morte, tendo viajado para a África do Sul; outros aceitam a morte, mas negam as causas, falando em overdose. Um momento de engano, em que Morrison teria snifado heroína de Pam julgando tratar-se de cocaína.

O pequeno talhão tornou-se rapidamente local de peregrinação, mas a vandalização da campa de Morrison e das campas mais próximas obrigou as as autoridades francesas a isolar a campa de Morrison com a ajuda de grades anti-motim que impedem a aproximação. Ainda assim, o busto de bronze de Morrison que pode ser visto no final do célebre filme The Doors de Oliver Stone (baseado no livro de Jonh Densmore Riders On The Storm) foi roubado em 1988 e não foi ainda substituido.
Apesar de todos os cuidados, flores, poemas, cartas, discos, garrafas, tabaco e charros podem ser vistos sobre a campa de Morrison.

Regressada aos Estados Unidos e três anos depois, também aos vinte e sete anos de idade, Pamela Courson morreu com uma overdose. Contrariamente aos seus desejos, o corpo não foi levado para Père Lachaise e enterrado junto de Jim Morrison.
Com a morte de Pam, perdeu-se a verdade sobre os últimos momentos de Jim Morrison, seja ela qual for.
Segundo Manzarek, Pam ter-lhe-à dito que as últimas palavras de Morrison foram "Pam, are you still there?..."

...and our love becomes a funeral pyre.


27.6.11

The Undertaking (Documentário)

Documentário disponível na página da PBS sobre o trabalho da agência funerária Lynch & Sons Funeral Directors, que operam numa pequena cidade.



"We are the first ones to respond, the last ones to leave..."

26.6.11

Danse Macabre

Danse Macabre é o título de uma curta-metragem, com uma duração de cerca de oito minutos, da autoria de Pedro Pires, e que nos transporta para lá da Morte.


For a period of time, while we believe it to be perfectly still,
lifeless flesh responds, stirs and contorts in a final macabre ballet.
Are these spasms merely erratic motions
or do they echo the chaotic twists and turns of a past life?

Tendo passando recentemente na RTP2, resta-nos esperar por uma repetição, ou pela sua inclusão nos próximos festivais de cinema no nosso país.

24.6.11

Os Homens do Saco

Durante os séculos XVIII e XIX dois grandes temores relacionados com a Morte aterrorizaram a sociedade ocidental: ser enterrado vivo e acabar numa mesa de anatomista, dissecado perante uma audiência de alunos de medicina.
E estes não eram receios infundados.

Para alguém que morresse em Londres, Dublin ou Edimburgo, por exemplo, a probabilidade de não passar sequer uma noite debaixo de terra era alta.

Segundo a lei, os cadáveres dos criminosos sujeitos a pena de morte eram entregues aos anatomistas para dissecação, mas todos os outros corpos tinha direito a um enterramento religioso e eram poupados a essas práticas, mal vistas por todos os credos vigentes: dissecar um corpo era visto como uma profanação; um castigo, pelo que estava reservado apenas aos realmente maus.

O aumento do número de universidades e alunos e os avanços da ciência, aliados a esta lei limitativa, acabaram por criar um novo mercado: a necessidade de cadáveres frescos.

Inicialmente, alguns alunos mais corajosos arriscavam entrar nos cemitérios durante a noite para tentar extrair cadáveres, mas depois de alguns deles serem vitimas de ferimentos com armas de fogo, acabou por criar-se também uma nova profissão: a dos ladrões de corpos.

Entrando nos cemitérios durante a noite, em silêncio, com candeias escurecidas e pequenas pás de madeira, estes homens cavavam nas sepulturas recentes, de terra fofa, partiam a tampa do caixão e, com a ajuda de cordas e ganchos, puxavam o cadáver para fora daquela que deveria ser a sua última morada.
Despidos das mortalhas - era crime mais grave roubar a mortalha ou a roupa do morto do que o corpo - eram dobrados e enfiados em sacos de serapilheira que os ladrões transportavam às costas ou em carroças (quando eram muitos) puxadas por cavalos com as ferraduras envoltas em cabedal, para não fazerem barulho.
No final, os ladrões voltavam a repor a terra e deixavam tudo conforme tinham encontrado, de maneira a passarem despercebidos: cemitério roubado era cemitério vigiado.
Nessa óptica, muitos dos roubos não chegavam sequer a ser descobertos.

Por este motivo, o número de cadáveres roubados nos cemitérios de Edimburgo, Dublin e Londres é impossível de apurar, mas um dos ladrões chegou a confessar ter roubado mais de quatrocentos cadáveres num ano, o que dá uma média de mais de um corpo por noite.


Este tipo de crime acontecia nas grandes cidades, de forma a garantir a rentabilidade do negócio; não só era aí que se encontravam as principais universidades (procura), como também era aí que existiam grandes cemitérios e a elevada densidade populacional garantia o enterramento de cadáveres frescos com regularidade (oferta).

A procura era de tal forma elevada, e distribuída geograficamente, que Edimburgo e Dublin exportavam cadáveres para outros locais. Este facto foi descoberto depois de barris e caixas de carga não terem sido recolhidas pelos compradores durante demasiado tempo e cheiro dos cadáveres em avançado estado de decomposição ter atraído a atenção das autoridades.
No caso de Dublin, os caixotes eram muitas vezes marcados como contendo queijo irlandês.

Este era um negócio arriscado, mas altamente lucrativo; mesmo cadáveres menos frescos ofereciam possibilidades: dentes, mãos e pés podiam ainda ser vendidos. Para além disto, podia ainda ser vendida a gordura dos corpos para fabrico de velas e sabão.
As mãos e pés eram vendidos a cirurgiões para dissecação; no caso dos dentes, estes eram negociados com dentistas para construção de dentaduras postiças.
O negócio dos dentes era de tal forma interessante que vários ladrões de corpos se aventuraram a viajar até terras de França, para os recuperar dos cadáveres dos soldados abatidos em combate.

Estas práticas eram conhecidas (alguns ladrões foram sendo apanhados ao longo dos anos) e algumas personalidades com influência tentaram, sem grandes resultados, alterar as leis de forma a permitir que os corpos não reclamados pudessem também ser enviados para dissecação, aumentando largamente a oferta legal de forma a acabar com o roubo de cadáveres pelos ressurreicionistas.

As populações tentavam - em vão - precaver-se: construiram-se muros altos e torres de vigia em volta dos cemitérios, grupos de vigilantes percorriam os terrenos de noite, munidos de lanternas, armas e cães, e construiam-se invenções que permitissem impedir o roubo como os mort safe ou as casas de mortos (pequenas construções de pedra, no interior dos cemitérios, sem janelas e acedidas apenas por uma pequena e pesada porta de madeira, normalmente iluminada e vigiada, e que serviam para manter os corpos durante as primeiras semanas, de forma a poderem ser inumados apenas quando se encontravam num estado de decomposição avançada).

Não foi nenhuma destas medidas que decretou o final dos ladrões de corpos, mas a escalada do crime que transformou ladrões em assassinos.

É famosa a história de Burke e Hare que, a partir de um hotel de mendigos em Edimburgo, transformavam indigentes vivos em corpos prontos para vender e lucrar, ficando ainda em posse dos poucos pertences dos mortos. Mataram e venderam cerca de vinte pessoas, até terem escolhido uma vítima conhecida.
Foram apanhados. Burke foi julgado, condenado e, depois de morto, entregue a anatomistas para dissecação pública. Hare testemunhou contra o colega de profissão e acabou em liberdade.
Existem outros casos semelhantes (como Bishop e Williams), mas Burke e Hare são os mais conhecidos, tendo mesmo sido escrito um conto The Body Snatcher por Robert L. Stevenson baseado no caso (adaptado ao cinema em 1945 pela mão de Robert Wise com Boris Karloff e Bela Lugosi nos principais papeis).

Finalmente, em 1832 é aprovado o Anatomy Act que permite que, dependendo de um conjunto de condições, determinados corpos sejam legalmente disponibilizados para dissecação, terminado assim com a procura de cadáveres ilegais ou seja, acabado com o negócio dos homens do saco (sack'em-up men) no Reino Unido.

No resto da Europa este problema não tinha estas dimensões, uma vez que quase todos os países forneciam corpos às universidades de forma legal.
Em França, era prática, desde os tempos da Revolução Francesa, enviar os corpos dos doentes que morriam nos hospitais para dissecação, sempre que estes não eram reclamados por familiares nas vinte e quatro horas seguintes.
Na Alemanha e Áustria actuava-se de forma semelhante, sendo que também os indigentes que morriam em casas de acolhimento, os suicidas, os criminosos e as prostitutas tinham o mesmo tratamento.
Também na Holanda os hospitais públicos forneciam os cadáveres necessários.
No caso da Itália, os corpos não reclamados (de hospitais e casas de acolhimento para pobres) eram entregues às escolas de anatomia, depois de terem sido sujeitos aos ritos religiosos necessários.

Relativamente a Portugal, as referencias que encontrei (muito poucas e em material não português) dizem que a nossa prática era em tudo semelhante à italiana, sendo que a elevada taxa de mortalidade infantil nacional permitia o fornecimento de cadáveres frescos em abundância.
Pessoalmente, e considerando a enraizada prática católica no nosso país, tenho alguma dificuldade em aceitar esta versão. Recordo que a tentativa de criação de cemitérios e a obrigatoriedade da inumação deixar de ser feita no interior e pátio das igrejas levou a uma revolta popular que fez irromper uma guerra civil que durou oito meses.
No entanto, a não existência de outros documentos escritos que contrariem esta informação leva-me a apresentá-la como provável.

Seria interessante perceber até que ponto a evolução do estudo da medicina em Portugal e as leis dos séculos XVIII e XIX permitem validar ou negar a informação apresentada nos parágrafos anteriores. É preciso, no entanto, ter em atenção que os cemitérios românticos (na periferia dos centros populacionais e independentes de igrejas paroquiais) só aparecem em Portugal a partir de 1833, depois de resolvida a situação no Reino Unido, último reduto dos ladrões de corpos na Europa.

Confesso que teria alguma piada perceber se o célebre "Homem do Saco" com que as nossas avós nos ameaçavam em crianças, numa tentativa de nos obrigarem a comer a sopa ou a não fazer barulho, não seria mais que um pilha-cadáveres à portuguesa.


Olhando para lá da Europa, para os Estados Unidos da América, o caso não era muito diferente do que se passava no Reino Unido. Apesar de alguns estados terem leis mais avançadas, a legislação da maioria dos estados do Sul permitia a germinação e proliferação dos ladrões de corpos.
Duas das maiores e mais reconhecidas escolas de medicina da altura eram as de Filadélfia e Baltimore, e os cadáveres das aulas de anatomia era mortos exumados dos cemitérios mais próximos.

Numa tentativa de resolução do problema, a legislação foi alterada de forma a aumentar a penalização para os ladrões, ao mesmo tempo que prometiam a entrega dos corpos dos criminosos às escolas de anatomia. Estes não eram, obviamente, em número suficiente e o roubo de cadáveres continuou ao longo das décadas.

Actualmente, o roubo de corpos - quando existe - tem outro tipo de objectivos, mas há muito tempo que as torres de vigia dos cemitérios deixaram de ter sentinelas com armas e cães.


23.6.11

O Funeral de Lord Byron

"Em 12 de Julho de 1824, o sol iluminou uma fantástica procissão. Enquanto a multidão, silenciosa e triste, se juntava para ver o cortejo, cavalos negros de ébano, enfeitadas com plumas também negras, puxavam um grande carro funerário através das ruas de Londres. Logo atrás, seguiam três carruagens com os amigos fiéis do morto. Depois, um a um, passaram os quarenta e sete coches das famílias mais nobres de Inglaterra; símbolos bizarros no funeral de um poeta homenageado pelo Mundo, mas desprezado pelo seu próprio país, os choches iam vazios. Nas casas ao longo do caminho, as mulheres respeitáveis apenas ousavam espreitar o estranho ritual por entre as cortinas das janelas. Mesmo depois de morto, George Gordon, Lord Byron, era ainda evitado pela alta sociedade.
Durante quatro dias, o carro funerário, acompanhado agora somente pelos cangalheiros, prosseguiu solenemente para norte em direcção a Nottingham. Nas pequenas vilas do caminho, plebeus respeitosos juntavam-se para o ver passar, sem dúvida surpresos por ter sido negada a este poeta, o mais popular da época, a honra de ser sepultado no Canto dos Poetas da Abadia de Westminster. Em vez disso, o seu corpo seria inumado no jazigo de família, numa igreja humilde perto da casa dos seus antepassados.
Tendo morrido aos trinta e seis anos, durante mais de quinze Byron fora adorado e desprezado, temido e emulado."

in Os Grandes Mistérios do Passado
Selecções do Readers's Digest.

28.5.11

A Morte no Estado Novo

Quando li o livro Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário, de Francisco Moita Flores, um dos capítulos que mais me impressionou foi o dedicado à simbólica do Estado Novo presente nos cemitérios de Lisboa.

Mais do que criar uma simbologia própria, ou abraçar parte da simbologia promovida no século XIX, durante os anos do Estado Novo, a Morte foi apagada - escondida.

Os mausoléus tornaram-se em blocos de pedra lisa, sem altos ou baixos relevos; tectos direitos, ausência de anjos e santos - à excepção de uma ou outra estátua de Maria, de uma ou outra cruz - e portas de metal compactas.
Desaparecem os pequenos vitrais coloridos, desaparecem os epitáfios e inscrições nas paredes dos sepulcros.

Ainda assim, aquilo que é realmente revelador é o espaço dedicado ao jovens soldados que morreram durante a Guerra do Ultramar, por terras de África.

Portugal ia, obviamente, ganhar a Guerra e manter as províncias ultramarinas para sempre: esse era o espírito da época e a mensagem repetida pela forças políticas e pela muito activa e eficaz máquina de propaganda salazarista.

O controlo da informação era uma ferramenta essencial e, com a ajuda da censura, os números revelados sobre as baixas nacionais no Ultramar ficavam aquém dos reais.
Para isso, ajudou não existir um cemitério específico para os combatentes portugueses: faltou-nos um Arlington, por exemplo. Não porque não o pudessem ter criado, mas tal espaço evidenciaria a quantidade de vidas que se estavam a perder; e, já se sabe, quando as baixas de Guerra são grandes é porque não se está a ganhar.
Mas Portugal ganhava. Orgulhosamente só. Ou assim nos diziam...

Para manter essa ideia era necessário mascarar a realidade dos números, sempre crescente, dos mortos em combate.



Para isso recorreram a três abordagens diferentes.

Parte dos mortos ficaram em África.
Exemplo disso é esta Reportagem Especial da SIC, onde um grupo de jornalistas se deslocou até Mueda, em Moçambique, e visitou um cemitério esquecido, onde estão enterrados combatentes da Guerra do Ultramar que nunca regressaram a Portugal.

Uma das formas que o Estado Novo encontrou para não efectuar a trasladação dos corpos foi através da cobrança do serviço: quem quisesse fazer regressar o corpo do filho, do marido, do irmão, do pai, tinha de pagar um valor elevado; caso contrário, o corpo seria enterrado em cemitérios em África.
Muitos ficaram por lá.

Outra forma utilizada para mascarar, reduzindo, o número de mortos era dispersá-los: considerando que os corpos eram trazidos pelos familiares, estes eram levado para os cemitérios civis das diversas localidades, espalhados por todo o país, enterrados nos jazigos ou campas de família não sendo, normalmente, identificados como vítimas da Guerra.
Eram apenas mais uns familiares falecidos.

A terceira opção era esconder os que não podiam ser enviados para as aldeias ou deixados em África.
Prova disso é a forma como foi escolhido e construído o talhão dos combatentes no cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

O talhão seleccionado é um espaço estreito, bem mais baixo que restante cemitério e escondido por um muro alto, no topo do qual está edificado um conjunto coeso de mausoléus altos, que funcionam como uma parede, impedindo a visibilidade.
Existem apenas três espaços de acesso a este talhão e estão estrategicamente colocados de forma a não permitir que se perceba a quantidade de pedras tumulares.

Na zona do talhão em que este é mais estreito, as filas são de apenas duas campas e conforme o talhão se vai alargando passamos a três, quatro, cinco.

No livro de Moita Flores existem algumas imagens deste espaço, mas em 1993 a realidade retratada foi muito diferente da que presenciei: um ar de abandono e esquecimento marca todas as campas, onde a chuva e o vento apagaram os stencils que, pintados na pedra, serviam para identificar os mortos e que ainda estavam bem visíveis no início da década de noventa.

Desapareceram também as floreiras de mármore e as flores e tudo o que se vê é algum capim e as pedras escuras e despidas.

Ao contemplar este talhão percebe-se a capacidade de manipulação das políticas e propagandas do Estado Novo.

Quem diria, ao olhar para este espaço, que na Guerra do Ultramar morreram cerca de nove mil pessoas?