
No passado dia 9 de Dezembro o jornal i publicou uma reportagem sobre o necroturismo no cemitério dos Prazeres.
Vale a pena ler e partilhar.



Destaco, mais uma vez, o livro de Philippe Ariès "Sobre a História da Morte no Ocidente desde a Idade Média" da editora Teorema.
na ordem dos milhares de indivíduos e era mencionada nos guias turísticos da cidade.
É em 1804 que é criada a primeira Morgue de Paris, no coração administrativo da cidade, no movimentado Marché-Neuf. Mudam-lhe o nome de basse-géôle para morgue, palavra que tem origem no verbo morguer que significa olhar de forma inquisitiva e fixa.
A nova Morgue de Paris, considerada exemplar, modelo de higiene e salubridade, foi desenhada por Félix Gilbert e construída em 1864 nas traseiras da catedral de Notre Dame.

As crianças acabaram por ser identificadas, retiradas da sala de exposição, descongeladas e autopsiadas; no entanto, a identificação provou ser errada e elas foram novamente congeladas e colocadas na sala de exposição para satisfação dos aficionados.
Para os novos enterramentos foram criados quatro novos cemitérios, rodeando a cidade nos quatro pontos cardeais: Norte, Oeste, Este e, mais tarde, Sul.
Em 1792, quando foi tomada a decisão de exumar os corpos de La Fontaine e Molière, ninguém conseguia dizer exactamente onde o dramaturgo estaria enterrado.
A estratégia resultou: em menos de um ano, os talhões de Père Lachaise eram os mais cobiçados da capital francesa. Père Lachaise populou-se - sobrepopulou-se! - tendo-se tornado o local de eterno repouso de muitos populares e famosos, franceses e estrangeiros, que habitaram ou morreram em Paris, sendo um marco incontornável no mapa internacional do necroturismo.
Existe alguma confusão identitária entre o Dia de Todos os Santos e do Dia dos Finados; talvez originada pelo facto do dia 1 de Novembro ser feriado e a maioria da população aproveitar a circunstância para visitar os cemitérios, embelezar e limpar campas, de acordo com o costume do Dia de Finados.
Inicialmente considerava-se que os mortos ficavam num estado em que as suas almas se encontravam como que adormecidas, sendo que seriam "acordadas" no momento do Juízo Final, onde seriam julgados e posteriormente enviados para o Paraíso ou para o Inferno para toda a eternidade.
Na sua base está a raiz europeia, que dita que as pessoas se desloquem aos cemitérios, enfeitando e limpando campas, mesmo que algumas delas tenham já perdido o hábito de prestar o tributo das orações. Em algumas culturas essa celebração, em contacto com costumes locais igualmente antigos, converteu-se numa celebração diferentes.«combines a cremation urn, ash scattering and a burial at sea into one meaningful permanent environmental tribute to a loved ones life»
Durante a última década do século passado, milhares destas estruturas foram sendo
construidas e integradas, transformando o projecto num sucesso.
«Lembras-te, meu amor, de uma coisa que vimos
Nessa manhã de Verão, suave:
Na curva do caminho um pútrido cadáver,
Num leito de pedras, sozinho,»
Baudelaire
Internacionalmente bastante popular em meados do século XIX, é possível encontrar vários espécimes no nosso país, adornando campas e cenotáfios.
Numa posição fora do comum, o anjo chama rapidamente a atenção: olhos no chão e rosto triste, asas abertas e desencontradas - uma apontando para o lado, outra apontado para baixo -, braços ao longo das asas, de palmas viradas para fora.
Em 1924, Teresa morreu e as suas cinzas, à semelhança das do segundo marido, foram colocadas no interior do pedestal. No monumento, foi gravada a data de nascimento de Teresa, mas não a da morte.
Mesmo na Europa, durante a Idade Média - quando os cemitérios eram as igrejas e, na extensão das inumações ad sanctos, os seus átrios e pátios exteriores - havia gente a viver nesses espaços de Morte, uma vez que os cemitérios tinham também o papel de santuário, ou seja de local de protecção para todas as pessoas que ali estivessem. Principalmente em alturas turbulentas, de guerras e saques, os pátios da igrejas eram ocupados por populares que construiam pequenas barracas para dormir, ou se encostavam nas arcadas onde era guardados os ossos (charniér) e capelas mortuárias junto às paredes das igrejas.
As especialidades do New Lucky são: o chá com leite, os butter rolls e as campas.
Rod Stewart, um dos artistas mais bem sucedidos de todos os tempos, trabalhou como coveiro no cemitério de Highgate, com o objectivo de enfrentar o medo da Morte, que tinha desde criança.