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30.3.25

Guias Ilustrados dos Cemitérios de Lisboa

No dia 22 de Março, no Cemitério do Alto de São João, ocorreu a apresentação e lançamento dos novos guias dos cemitérios de Lisboa.




Integrados na colecção de mapas Cartografia para a Portuguesia de Maria da Gandra, professora na London College of Communication - LCC, as publicações número 4 e 5 dedicam-se ao Cemitério dos Prazeres e ao Cemitério do Alto de São João.
Foto: David Miguel.

Desenvolvidos em parceria entre Maria da Gandra (design gráfico e esquemáticos) e Gisela Monteiro (investigação e texto) os dois novos guias resultam como uma ferramenta auxiliar para visitas auto-guiadas nos cemitérios, listando um conjunto de monumentos e personalidades de destaque, contando as suas histórias, explicando simbologia ao mesmo tempo que, graças aos detalhados esquemas e ilustrações, permitem ficar a conhecer estes cemitérios antes mesmo de o visitar.

Contando com o apoio da London College of Communication e da CML, os mapas são uma edição bilingue, em Português e Inglês, promovendo o património cemiterial de Lisboa junto de um público mais vasto.


Para encomendar os novos Guias Ilustrados, basta enviar 

um email para guiascemiterios@gmail.com





6.1.25

WANTED: Medalhões de Vidro

No contexto das minhas investigações, tenho encontrado vários elementos novos e objectos curiosos. Gosto sempre de saber mais sobre as coisas com que me vou cruzando; aliás, foi assim que comecei a investigar e estudar cemitérios: não me bastavam as imagens que ia registando nas minhas fotografias, precisava de saber mais, de descobrir as histórias.

Em Dezembro de 2020 foi inaugurada a exposição Flores de Pedra | Flowers of Stone, patente ainda na galeria de exposições da Capela do Cemitério dos Prazeres. Nas paredes da galeria - para além dos painéis informativos com representações das plantas que fomos descobrindo e identificando nos cemitérios de Lisboa e a respectiva leitura simbólica contextualizada - encontram-se vários objectos fúnebres, recuperados pela Divisão de Gestão Cemiterial da Câmara Municipal de Lisboa em jazigos particulares abandonados. Esse material, riquíssimo para desenvolver o nosso conhecimento relativamente aos rituais e práticas fúnebres portuguesas no século XIX e XX, faz parte do acervo museológico dessa divisão.

Dos elementos que integram a exposição - todos eles apresentando bonitas e simbólicas flores - encontra-se um conjunto de medalhões de vidro que despertaram a minha curiosidade.

Trata-se de vidro simples, aparentemente forrado com jornal do lado que fica voltado para a moldura metálica de suporte, pintados com cenas de luto, num estilo um pouco naif.

Não encontrei bibliografia que refira estes elementos ou me dê pistas para perceber melhor quem os fazia, como se comercializavam, se eram encomendas ou trabalhos de série, etc. Falta quase tudo, no entanto, tenho já algumas pistas que partilho convosco.

1. O nome "medalhões", que estou a utilizar para designar estes objectos, está na lista de serviços e produtos que eram comercializados pela Agência Funerária Cereeiro, que ficava na Rua da Junqueira (lembro-me de passar por ela tantas vezes, mas entretanto já não se encontra lá). Esta informação foi encontrada numa factura de funeral de 1909, gentilmente disponibilizada por Fernando Oliveira, responsável pelo Museu Funerário Fernando Oliveira (que merece uma visita).

2. Percebemos claramente alguns dos contextos de uso a partir de fotografias antigas, tirada nos cemitérios de Lisboa, em que vemos medalhões destes pendurados no interior dos jazigos e até no exterior, em obeliscos e colunas de jazigos subterrâneos.

Tirando estes dois pontos, sabemos ainda muito pouco. O que nos leva ao poster de WANTED do topo deste post: alguém tem informação disponível? 

A informação pode ser directamente sobre estes elementos, de alguém que se recorde ou conheça histórias de ver vender ou comprar, de ter nos seus jazigos ou pode ser no formato de antigas facturas de funerais que possam referir estes artigos.

Se alguém tiver informação, pode enviar para o email Blog.MortSafe@gmail.com ou contactar-me directamente a partir do Facebook ou do Instagram do Mort Safe.

Seria maravilhoso encontrarmos juntos mais informação sobre estes curiosos medalhões de vidro.

Obrigada a todos e passem a palavra, por favor!


5.2.23

A Casa Portuguesa nos Cemitérios no GetLisbon

 A fantástica página GetLisbon, que se dedica a partilhar os aspectos mais peculiares de Lisboa desde 2017 - se ainda não seguem nas redes sociais nem recebem a newsletter por email, cliquem aqui e vão até lá - convidou-me para escrever um texto sobre A Casa Portuguesa nos Cemitérios, uma temática a cujo estudo me dedico há já alguns anos.

Passem por lá e leiam. 


Obrigada pelo convite!


1.4.17

Visitas Guiadas - Cemitérios de Lisboa

Já está disponível o programa de visitas guiadas nos Cemitérios de Lisboa para os meses de Abril, Maio e Junho.
Escolham o local ou o tema que mais vos interessa e inscrevam-se já enviando um email para dmevae.dgc@cm-lisboa.pt.


E no dia 20 de Maio, a visita é nocturna. 


9.8.16

"Sobre Turismo Cemiterial" na Revista Elegia

No número 4 da revista Elegia (revista semestral da AAFC Associação de Agentes Funerários do Centro) podem ler o meu artigo "Sobre Turismo Cemiterial", no qual desenvolvo esta temática, ilustrando-a com fotografias minhas de vários cemitérios europeus que visitei.
Para além do artigo, podem ainda encontrar várias referências ao blog Mort Safe.



A revista Elegia é uma publicação semestral dedicada ao sector funerário, com uma diversidade de colaborações que permite extravasar o público-alvo inicial e ser do interesse do leitor comum e, especialmente, do leitor tafófilo. 
Os números têm sido subordinados a temáticas específicas, organizadas em dossiers, cobrindo os mais variados temas; até agora foi publicado um dossier sobre Cremação (n.º1), sobre Transportes Funerários (n.º2) e sobre Cerimónia Fúnebre, Crenças e Rituais (n.º3).



16.11.14

Inauguração de "Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular"

No passado dia 15 de Novembro, na El Pep Store & Gallery do Centro Comercial Imaviz Underground, decorreu a inauguração da exposição fotográfica Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular.
Contou com a participação musical de Charles Sangnoir de La Chanson Noire.
Apresentei as vinte e duas fotografias que compõem a série, contextualizando a imagem, a escolha e o local onde a fotografia foi tirada.

Para quem não conseguiu estar presente, pode ver o vídeo da minha apresentação dos vinte e dois Arcanos Maiores cemiteriais:




Mais surpresas em breve.

4.11.14

Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular


No próximo dia 15 de Novembro, na El Pep Store & Gallery no Imaviz Underground, pelas 18:00 horas, vai ser inaugurada a minha exposição de fotografia, intitulada "Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular" um trabalho conceptual sobre o Tarot.
Em vinte e duas imagens de contexto sepulcral, a preto-e-branco, tiradas em diversos cemitérios portugueses e estrangeiros, apresentam-se novos arcanos maiores que, mergulhados no mistério e no silêncio próprios dos cemitérios, prosseguem num feitio surpreendente a tradição pictórica do Tarot.
A exposição estará patente até 28 de Novembro e estão todos convidados, desde já, a aparecer na abertura no dia 15.

Entretanto, estamos a preparar mais algumas surpresas que iremos anunciando. Fiquem atentos!

16.11.12

Mais do que palavras...



«Aos que na longa noite do fascismo foram portadores da chama da liberdade 
e pela liberdade morreram no campo de concentração do Tarrafal.»

10.11.12

Simbologia: Perpétua Saudade

Uma das componentes que me parece mais interessante de interpretar na simbologia cemiterial é a da flora.
Em primeiro lugar, esclareça-se que nem sempre é fácil distinguir ou identificar a flor que está talhada na pedra, depois de muitos anos exposta aos rigores invernais e aos impiedosos raios do Sol no Verão, mas depois dela ser claramente identificada, existem inúmeros "dicionários de plantas" que ajudam a perceber qual o provável significado que presidiu à escolha de um ramo de margaridas ou de umas hortenses, em vez de rosas e amores-perfeitos.
Em todos os casos com que me deparei durante muito tempo, a simbologia da planta obrigou sempre à sua interpretação, nunca tendo um significado literal.
Por exemplo: o trevo comum - de três folhas - é normalmente usado para representar a Santíssima Trindade, mas acabou também por representar a Irlanda, uma vez que, segundo a lenda, São Patrício - para além de ter expulsado as serpentes - levou consigo o trevo e espalhou-o pela ilha, em representação, precisamente, da Santíssima Trindade. Assim, quando encontramos um trevo numa campa, é muito possível que estejamos na presença da campa de um irlandês ou de um católico devoto.
 Também é preciso considerar as modas e escolhas estéticas. Não é incomum encontrarmos várias campas seguidas com simbologia ou monumentos semelhantes: uma vezes, porque é uma só família (e foi essa a forma encontrada para a representar); outras, porque a escolha foi puramente estética - muitas vezes feita por catálogo, de acordo com as amostras que o artesão tinha na oficina ou com base naquilo que se viu no cemitério numa visita anterior.
 No entanto, no caso de Portugal - até agora ainda não me cruzei com este fenómeno em outros países - existe, pelo menos, um caso de literalidade. 
Nos cemitérios de Lisboa (Prazeres e Alto de São João) é difícil passar mais do que uma dezena de jazigos sem nos cruzarmos com duas plantas que normalmente aparecem juntas, por vezes na companhia de mais alguns símbolos, e cujo significado é simplesmente "Perpétua Saudade".
As Perpétuas são plantas conhecidas por florirem em canudinhos ou bolinhas - conhecidas também pelo chá que se faz com elas: em especial, o de perpétuas roxas; favorito da fadista Amália - e a Saudade tem uma representação parecida com a do cardo, podendo até ser confundida com este.
Juntas, não carecem de mais interpretação: significam "Perpétua Saudade" ou "Saudade Perpétua".

Resta realçar que, no nosso país, estas duas flores foram utilizadas frescas para enfeitar as campas. Em 1872, Ramalho Ortigão descrevia os cemitérios lisboetas da seguinte forma:
«Chegámos ao cemitério. Das grades que circulam os jazigos pendem coroas de perpétuas cor de milho estreladas de saudades roxas. Dentro dos carneiros ardem velas de cera, vicejam ramos de flores tristes e simbólicas em vasos de porcelana; e longos bambolins de crepes adornam as lápides tumulares de dísticos de ouro em fundo negro. Algumas senhoras de vestidos pretos passam silenciosas e graves. À porta algumas carruagens esperam. Eis tudo o que vimos no cemitério.»

2.10.12

Crematório do Alto de São João

O nosso primeiro - e durante muitos anos único - crematório é o forno crematório do cemitério do Alto de São João.
Ainda em utilização, a história deste crematório mistura-se com a história do nosso país e é, mais uma vez, um excelente exemplo de como as práticas funerárias de uma sociedade conseguem ser uma fotografia quase perfeita desta e das crenças e limitações de quem nela vive.

A partir dos anos 70 do século XIX várias vozes se levantaram em defensa da criação de um forno crematório em território nacional.
Os argumentos usados no início do século para fundamentar a criação de cemitérios e descontinuar os enterramentos no interior das igrejas foram então reaproveitados para defender a cremação em detrimento da inumação.

Não deixa de ser curioso que apenas em 1912 é que, finalmente, foi aprovada a construção do crematório no cemitério do Alto de São João.
Considerando que a Igreja Católica é contra a cremação, naturalmente apenas depois da implantação da República, com os ventos ateístas trazidos pelas mãos de Afonso Costa, foi possível ter um crematório em Portugal.

Apesar disso, somente em 1925 o crematório entrou em funcionamento, depois de um vereador adepto da cremação ter procedido à aquisição do forno na Alemanha; apesar disso, segundo as estatísticas, os números de utilização foram muito reduzidos. Entre 25 e 36 foram apenas cremados 22 corpos e em 1936 o crematório deixou de funcionar.
No livro Cemitérios, Jazigos e Sepulturas de Vítor Manuel Lopes Dias é referido apenas que o crematório «não está presentemente [1963] em condições de funcionar.» sem mais explicações.
É de destacar que este trabalho foi publicado quando o Estado Novo ainda fazia censura de livros e textos, pelo que é preciso ter isso em conta quando se considera a falta de informação neste ponto.

É preciso recordar que a Igreja Católica era militantemente contra a cremação e o Estado Novo, nascido em 1933 com a instauração da Constituição de 32, estava completamente alinhado com a Igreja Católica e, por isso, não é de estranhar que o crematório do Alto de São João tenha sido desactivado, até ser recuperado em 1985, em parte por pressão da crescente comunidade Hindu.

 Actualmente, em Lisboa, existem três fornos crematórios, uma vez que ao do Alto de São João se juntaram mais dois no cemitério dos Olivais; para além destes, também existe um no cemitério do Prado do Repouso, no Porto, e outro em Ferreira do Alentejo, de construção particular (ainda que gerido pela câmara municipal).

Em breve uma pequena adenda com informação estatística sobre o fenómeno da cremação.


28.5.11

A Morte no Estado Novo

Quando li o livro Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário, de Francisco Moita Flores, um dos capítulos que mais me impressionou foi o dedicado à simbólica do Estado Novo presente nos cemitérios de Lisboa.

Mais do que criar uma simbologia própria, ou abraçar parte da simbologia promovida no século XIX, durante os anos do Estado Novo, a Morte foi apagada - escondida.

Os mausoléus tornaram-se em blocos de pedra lisa, sem altos ou baixos relevos; tectos direitos, ausência de anjos e santos - à excepção de uma ou outra estátua de Maria, de uma ou outra cruz - e portas de metal compactas.
Desaparecem os pequenos vitrais coloridos, desaparecem os epitáfios e inscrições nas paredes dos sepulcros.

Ainda assim, aquilo que é realmente revelador é o espaço dedicado ao jovens soldados que morreram durante a Guerra do Ultramar, por terras de África.

Portugal ia, obviamente, ganhar a Guerra e manter as províncias ultramarinas para sempre: esse era o espírito da época e a mensagem repetida pela forças políticas e pela muito activa e eficaz máquina de propaganda salazarista.

O controlo da informação era uma ferramenta essencial e, com a ajuda da censura, os números revelados sobre as baixas nacionais no Ultramar ficavam aquém dos reais.
Para isso, ajudou não existir um cemitério específico para os combatentes portugueses: faltou-nos um Arlington, por exemplo. Não porque não o pudessem ter criado, mas tal espaço evidenciaria a quantidade de vidas que se estavam a perder; e, já se sabe, quando as baixas de Guerra são grandes é porque não se está a ganhar.
Mas Portugal ganhava. Orgulhosamente só. Ou assim nos diziam...

Para manter essa ideia era necessário mascarar a realidade dos números, sempre crescente, dos mortos em combate.



Para isso recorreram a três abordagens diferentes.

Parte dos mortos ficaram em África.
Exemplo disso é esta Reportagem Especial da SIC, onde um grupo de jornalistas se deslocou até Mueda, em Moçambique, e visitou um cemitério esquecido, onde estão enterrados combatentes da Guerra do Ultramar que nunca regressaram a Portugal.

Uma das formas que o Estado Novo encontrou para não efectuar a trasladação dos corpos foi através da cobrança do serviço: quem quisesse fazer regressar o corpo do filho, do marido, do irmão, do pai, tinha de pagar um valor elevado; caso contrário, o corpo seria enterrado em cemitérios em África.
Muitos ficaram por lá.

Outra forma utilizada para mascarar, reduzindo, o número de mortos era dispersá-los: considerando que os corpos eram trazidos pelos familiares, estes eram levado para os cemitérios civis das diversas localidades, espalhados por todo o país, enterrados nos jazigos ou campas de família não sendo, normalmente, identificados como vítimas da Guerra.
Eram apenas mais uns familiares falecidos.

A terceira opção era esconder os que não podiam ser enviados para as aldeias ou deixados em África.
Prova disso é a forma como foi escolhido e construído o talhão dos combatentes no cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

O talhão seleccionado é um espaço estreito, bem mais baixo que restante cemitério e escondido por um muro alto, no topo do qual está edificado um conjunto coeso de mausoléus altos, que funcionam como uma parede, impedindo a visibilidade.
Existem apenas três espaços de acesso a este talhão e estão estrategicamente colocados de forma a não permitir que se perceba a quantidade de pedras tumulares.

Na zona do talhão em que este é mais estreito, as filas são de apenas duas campas e conforme o talhão se vai alargando passamos a três, quatro, cinco.

No livro de Moita Flores existem algumas imagens deste espaço, mas em 1993 a realidade retratada foi muito diferente da que presenciei: um ar de abandono e esquecimento marca todas as campas, onde a chuva e o vento apagaram os stencils que, pintados na pedra, serviam para identificar os mortos e que ainda estavam bem visíveis no início da década de noventa.

Desapareceram também as floreiras de mármore e as flores e tudo o que se vê é algum capim e as pedras escuras e despidas.

Ao contemplar este talhão percebe-se a capacidade de manipulação das políticas e propagandas do Estado Novo.

Quem diria, ao olhar para este espaço, que na Guerra do Ultramar morreram cerca de nove mil pessoas?



5.4.11

Epitáfios

Epitáfio é o nome que se dá aos textos que acompanham os túmulos, deixando mensagens para os vivos ou homenageando os mortos.
Tem origem na palavra grega epitafos, onde epi significa "sobre" e tafos significa "túmulo".



Cemitério do Alto de São João, Lisboa, Portugal.


1.3.11

Simbologia: Mocho

O mocho é um animal com uma representação simbólica ambígua, certamente por ser uma ave nocturna.
Na arte funerária, os mochos simbolizam normalmente sabedoria, vigilância, solidão contemplativa e percepção.

Numa vertente mais luminosa, o mocho, apesar de não ser mencionado especificamente no Novo Testamento, tornou-se num atributo de Cristo e, muitas vezes, as representações da crucificação apresentam um mocho, numa referencia à capacidade de Cristo para guiar as almas que se encontram nas Trevas.

No evangelho de S. Lucas (1:79), Cristo é descrito como sendo capaz de: «iluminar aqueles que se encontram nas Trevas e na sombra da Morte, e guiar os nossos passos no caminho da Paz», propriedades atribuídas também aos mochos, especialmente num contexto funerário, uma vez que este é muitas vezes considerado um guia .

No entanto, no mocho simboliza também uma vertente mais sombria, em que representa o Príncipe das Trevas - Satanás - uma vez que se diz que o mocho teme a luz, vivendo e escondendo-se na escuridão. Tal como Satanás, o mocho é ainda encarado como um trapaceiro: Satanás engana a humanidade e o mocho engana outros animais.

Historicamente, é importante recordar que durante a Idade Média, o mocho foi associado à bruxaria e feitiçaria, sendo considerado um dos animais predilectos para serem adoptados como familiares das bruxas. É ainda encarado como um símbolo da clarividência e ocultismo.

Em muito do folclore europeu, o mocho apresenta-se como arauto da Morte, um portador de más notícias.

Apesar do mocho ter uma vertente luminosa no Novo Testamento, e de estar associado ao Filho de Deus, no Antigo Testamento, no Levítico (11: 13-17), é dito que «Eis aqui de entre as aves, as que vós repelireis: não comereis, porque são abomináveis (...) o mocho (...) e o bufo.»

O mocho é ainda o animal que acompanha a deusa grega Palas Atena, partilhando das suas características de sabedoria e astucia.

Na China e no Japão é considerado um mau agouro e um espírito malévolo.