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15.1.12

"No Céu, Debaixo da Terra"

No dia 28 de Janeiro pelas 19 horas, como parte do festival de cinema de expressão alemã, promovido pelo Goethe Institut Portugal, irá passar no cinema S. Jorge, em Lisboa, o documentário "No Céu, Debaixo da Terra" (Im Himmel, unter der Erde) de Britta Wauer.




«No norte da cidade, escondido numa zona habitacional, cercado por um muro e tapado por uma grande floresta, rododendros e hera, encontramos o Cemitério Judaico de Berlim-Weissensee.
Existe aqui desde 1880, tem 42 hectares e 115 000 sepulturas, neste momento. Actualmente, o cemitério continua a ser utilizado. Nem o cemitério, nem o seu arquivo foram destruídos – o que representa um autêntico paraíso para coleccionadores de histórias.
Britta Wauer e o seu operador de câmara, Kaspar Koepke, visitaram várias vezes este cemitério e depararam-se com um sítio cheio de vidas.
Pessoas de todo o mundo visitam-no e falam sobre a história judaica, sobre a história da cidade de Berlim e simultaneamente sobre a história da Alemanha.
Todas elas estão lá amplamente representadas.»
O documentário terá legendas em português.

Mais informações na página de Facebook do evento, criada pelo Goethe Institut.

A não perder!

9.8.11

Vida e Morte em Portugal



Interessantíssimo documentário do início dos anos 90, parte da série Viagem ao Maravilhoso sobre as práticas de Morte em Portugal.
Contém imagens de núcleos museológicos dedicados à funerária, simbologia, etc.
Destaque para o cemitério e museu da Chamusca e a história da morte na Europa; menção à lenda referente às intervenções do fantasma de Sousa Martins em curas e sessões espíritas e à relação entre a Morte e as praticas populares do Carnaval e da Páscoa.


27.6.11

The Undertaking (Documentário)

Documentário disponível na página da PBS sobre o trabalho da agência funerária Lynch & Sons Funeral Directors, que operam numa pequena cidade.



"We are the first ones to respond, the last ones to leave..."

18.4.11

A Cidade dos Mortos - Comentário

Já tive oportunidade de assistir ao documentário A Cidade dos Mortos e à curta-metragem Waiting For Paradise do realizador Sérgio Tréfaut.

A sessão a que assisti foi especial, uma vez que no final da projecção o realizador - presente na sessão - disponibilizou-se para responder a questões apresentadas pela audiência, fazendo ainda uma interessante introdução em que apresentou alguns pontos que não são focados no documentário.

A minha primeira nota vai para a questão fundamental do filme: o cenário é um cemitério, mas é difícil para nós, ocidentais, perceber isso. A simbologia funerária a que estamos habituados tem uma raiz claramente cristã, onde existem anjos, cruzes e uma arquitectura bastante homogénea, apesar da sua diversidade.
Quando olhamos para uma imagem que representa um cemitério de raiz cristã conseguimos rapidamente identificá-lo enquanto tal.
Isto não se passa com el arafa*, uma vez que este é um cemitério de raiz islâmica e a simbologia é diferente.
Em tons maioritariamente ocres, vemos ruas e casas e pessoas.
A única peça que conseguimos identificar como sendo funerária, pelo nosso padrão ocidental, são algumas campas isoladas, pintadas em matizes azuis, verdes, amarelos ou brancos; tons pastel que pouco se destacam no mar de pó.

Devido às necessidades religiosas, os mausoléus são construidos com câmaras onde as pessoas podem pernoitar e são essas câmaras que os donos alugam ou cedem gratuitamente a desalojados, que acabam por habitá-las de forma permanente.

Em algumas das casas vemos sofás, armários, televisões, cozinhas quase completas... É difícil distinguirmos entre estas residências e as que encontramos em bairros pobres. As "comodidades" que vemos são até muitas. Confesso que esperava uma pobreza bem mais acentuada.
A meio do documentário vemos um vendedor ambulante, com o seu carro, passear pelas ruas, anunciando "leite, natas, bolos e arroz doce".
E os miúdos aparecem e pedem bolos às mães, que os compram e aproveitam para dizer mal das vizinhas e criticar as praticas alheias.

Talvez por não nos ser possível identificar a simbologia ou perceber as mensagens escritas nas paredes, o facto do espaço ser um cemitério tem pouca importância.

Há alguns anos, vi um documentário sobre a mesma temática: pessoas que habitam em cemitérios. Nesse caso, num cemitério Filipino; provavelmente, em Manila. As pessoas que moravam no cemitério eram, com efeito, os mais pobres dos pobres.
Não tinham mobiliário ou qualquer tipo de conforto e dormiam dentro dos mausoléus, sobre as campas, cobertos por panos. Num dos casos, a única coisa que tinham para cobrir-se era uma faixa publicitária de um partido político (ou de uma marca publicitária, nem sei).
Ninguém se sentava à mesa para comer, porque não havia mesa: comiam em pratos lascados, pousados sobre as campas.
Eram todos magros e tristes.
As crianças brincavam entre o pó, fazendo rolar crânios desenterrados, e o narrador explicava que o cheiro a cadáveres em decomposição era nauseante.
Claro que a simbologia funerária era cristã e, por isso, mais interpretável aos nossos olhos, mas não foi esse o factor que mais me impressionou.

Esta não é a realidade do Cairo.

O documentário A Cidade dos Mortos é muito interessante e permite-nos ver um pouco do dia-a-dia das famílias que habitam aquele espaço mas, apesar de tudo, é simples esquecermos que se trata de um cemitério.
Seria importante, ainda assim, explicar as diferenças entre os habitantes desse espaço e os outros bairros pobres do Cairo, perceber como é que alguns deles têm luz e água, ou qual é o nível de (in)dependência de quem vive ali, relativamente ao exterior.

No final, ficamos com a sensação que muito ficou por dizer.
Gostaria ainda de ter visto o impacto da chegada de um funeral; não a própria celebração fúnebre - algo que, em si, não se relaciona com a abordagem deste filme -, mas as alterações à rotina que isso provoca: gente a esvaziar e a limpar os mausoléus, antes das chegadas das famílias, por exemplo.

É clara a importância do casamento para aquelas famílias, mas julgo que esse é um factor comum a todos os habitantes do Cairo, do Egipto, de outros locais com culturas semelhantes. No final, a curta-metragem permite-nos assistir ao desenrolar de um casamento no espaço do cemitério: desde a preparação até ao final da boda.

De qualquer das formas, este é um trabalho muito interessante que está a passar nas nossas salas de cinema e que não devem deixar de ver.


Imagens 1 e 2 - Cairo, Egipto.
Imagens 3 e 4 - Manila, Filipinas


* el arafa significa literalmente o cemitério.

8.4.11

Aurora (documentário)



Gravado no Cemitério de Budapeste em 2010, este documentário de homenagem é da autoria de Catarina Carrola com câmara de Rui Madruga.