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11.3.17

"Da Mortalha ao Caixão" - Elegia


O volume número 5 da Elegia - a revista semestral da AAFC Associação de Agentes Funerários do Centro - apresenta-nos um dossier especial sobre Urnas Funerárias. Nesse dossier podem encontrar um novo artigo meu, onde apresento a história do caixão, intutilado "Da Mortalha ao Caixão".
Contactem a AAFC e assinem a revista para receber as cópias impressas vale a pena, mas para já, fiquem com o formato digital.

Boas leituras, caros Tafófilos!

22.3.11

Caixões Dançarinos

Estava-se no final do século XVIII e em Christ Church, nos Barbados, quando a abastada família de plantadores Wallrond mandou construir um mausoléu de família, escavado na rocha e fechado com uma maciça pedra de mármore.

Em 1807 foi a enterrar o primeiro e único elemento da família Wallrond a ser depositado no jazigo: Thomasina Goddard, fechada num simples caixão de madeira.
O jazigo foi vendido a outra família de plantadores, os Chase, no ano seguinte.
O Coronel Thomas Chase era o patriarca dessa família e, corriam rumores, era considerado um homem bastante cruel.

Nesse mesmo ano, a pequena Mary Ann, filha mais nova de Thomas Chase, com dois anos de idade, foi colocada no jazigo, num caixão de chumbo. Algumas fontes relatam que a morte de Mary Ann teve origem num ataque violento de seu pai e que Dorcas, a irmã mais velha de Mary Ann, se deixou morrer de fome - empurrada para uma depressão precoce, também por Thomas Chase - e em 1812 foi também depositada no jazigo, ao lado da irmã, num caixão de chumbo.
Como sempre, o jazigo foi fechado (sendo necessária a força de vários homens para colocar a pedra no sitio) e selado com cimento.

Ainda em 1812, Thomas Chase morreu. Foi feito um caixão trabalhado, pesando cerca de cem quilos, que teve de ser transportado por oito homens, e o jazigo de família mandado abrir para colocar o pai das meninas. O interior surpreendeu toda a gente: os caixões estavam fora do sitio, desarrumados, e os acompanhantes do funeral ficaram indignados com a perspectiva do jazigo ter sido atacado por ladrões de sepulturas. Rapidamente, a ausência de valores no interior do jazigo, o facto dos caixões não terem sido violados e da pedra da entrada se encontrar selada com cimento, fez com que a população pusesse de lado essa hipótese.

Em 1816 o túmulo foi de novo aberto: todos os caixões tinha sido movidos; os das duas meninas estavam voltados com a tampa para baixo e até o pesado caixão de Thomas Chase estava fora de sítio, encostado verticalmente numa das paredes da cripta.
Os caixões voltaram a ser colocados nos seus locais iniciais e a enorme pedra mármore descida sobre a entrada do túmulo.

Em menos de dois meses o túmulo voltou a ser aberto para nova inumação; reuniu-se uma multidão em torno do talhão da família Chase e a pedra e o cimento foram demoradamente examinados, em busca de sinais de arrombamento. Aberto o túmulo, a desordem reinava no seu interior. O caixão de madeira de Thomasina Goddard estava dramaticamente danificado.

Parecia impossível encontrar uma explicação: não havia sinais de inundação no interior da cripta, tremores de terra teriam afectado também os jazigos vizinhos (o que não tinha acontecido) e se a cripta tivesse sido aberta e violada teriam sido encontrados vestígios.

Mais uma vez, o jazigo foi arrumado e fechado.

Em 1819, ao ser novamente aberto, todos os caixões - com excepção do decrepito caixão de madeira de Goddard - tinha sido movidos.

Foi chamado um padre para investigar o túmulo e até Sir Arthur Conan Doyle abordou o assunto, dizendo que se tratavam de forças sobrenaturais que moviam as urnas por estas serem feitas de chumbo, o que impedia a natural decomposição dos corpos.

Os caixões foram, mais uma vez, arrumados nos seus devidos lugares e o Governador de Barbados, Lord Combermere mandou cobrir o chão do jazigo com areia fina e selar a pedra com cimento, onde gravou o seu selo pessoal.
Algum tempo depois foram-se relatadas histórias de ruídos estranhos, vindos do interior da cripta e em 1820 o Governador mandou abrir o túmulo para ver o que se passava no seu interior.

A pedra não tinha sido movida, pois os selos do Governador encontravam-se intactos, e a areia continuava lisa e intocada, mas os caixões estavam, mais uma vez, fora do sítio, alguns deles voltados ao contrário.

O Governador mandou esvaziar a cripta e enterrar os caixões noutro local.

A cripta ainda se encontra vazia e, até agora, ninguém conseguiu encontrar a solução para o mistérios dos caixões dançarinos da família Chase.


3.3.11

Caixões Sofá

Os Tafófilos da Califórnia levam o seu gosto pela parafernália fúnebre aos extremos.

Numa perspectiva de responder às necessidades e preferências de um nicho de mercado que tem vindo a crescer ao longo do tempo, a 1-800-Autopsy desenvolveu uma nova linha de negócio, suportada na empresa Coffin Couches, que cria elegantes sofás de sala a partir de caixões.

Estes sofás, independentemente da cor de tinta seleccionada, são sempre verdes, uma vez que se tratam de produtos reciclados.
Sim, é isso: caixões reciclados.

Segundo o site do fabricante, os caixões usados para o fabrico dos sofás são:
(...)collected from local funeral homes primarily in Southern California.
It is a health and safety law that funeral homes cannot resell used coffins to the general public.
We approached funeral directors with the attitude of recycling.
These coffins are not used for burial due to slight cosmetic inconsistencies.
As imagens da galeria mostram uma selecção brilhante e muito bem conseguida. Verdadeiras peças de coleccionador.



O preço de um caixão-sofá simples ronda os $3.500, sem portes de envio, possíveis custos de alfândega, etc.
Não é, decididamente, um objecto barato.

A título de curiosidade, os fabricantes informam que Kat Von D, a tatuadora do programa LA Ink e que anteriormente aparecia em Miami Ink, tem um.


Uma deliciosa peça de mobiliário. Elegante e extravagante!