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8.3.11

Livros: The Victorian Undertaker

Durante a época vitoriana, a Morte ocupou um lugar de destaque na sociedade.

Por esse motivo, todas as ocupações e necessidades que lhe estavam associadas ganharam também espaço e importância.

Existia toda a uma cultura em volta do luto, criando objectos personalizados para os períodos que se seguiam à morte de um ente querido e que ia desde os vestidos de senhora, negros e carregados de crepe, até às jóias de prata e ónix ou âmbar-negro - por vezes contendo madeixas de cabelo do falecido -, cartões de visita, material para as cartas e outras comunicações, etc.
Nos jornais da época encontravam-se inúmeros anúncios a armazéns especializados em Luto (os famosos "Mourning Warehouses") e a serviços funerários e aluguer de carretas.

Considerando todas estas questões, o cangalheiro era uma figura reputada e responsável por um dos momentos mais importantes nas famílias, e consequente vida social, dos vitorianos.

Com The Victorian Undertaker, de Trevor May, a colecção Shire Books traz-nos, mais uma vez, um pequeno volume muito bem conseguido, curto, sucinto, mas com algumas ilustrações e percorrendo as ideias principais que pode ser mais um bom livro de iniciação a esta temática e preparação para leitura de obras mais completas, como The Victorian Celebration of Death de James Stevens Curl.

Dividido em seis capítulos, onde se aborda a tipologia de funerais com tudo o que lhe está associado, as carretas funerárias, a joalharia, cartões, postais, publicidade e também os funerais de estado; esta obra de rápida leitura - e preço acessível! - é essencial para os tafófilos principiantes.

20.2.11

Livros: The Victorian Cemetery

Apesar de em Portugal se escreverem - e se publicarem - pouquíssimos livros sobre cemitérios, arte funerária e afins, lá fora ainda se vão fazendo obras interessantes, que vale a pena ler, não só pela sua qualidade, mas também porque a maioria dos conceitos podem ser aplicados à nossa realidade, mediante pequenos ajustes culturais.

The Victorian Cemetery de Sarah Rutherford é um dos pequenos livros da colecção Shire Library: com apenas setenta páginas, este ricamente ilustrado manual conta-nos o aparecimento e desenvolvimento do fenómeno histórico, cultural e arquitectónico que varreu a Europa, do século XVIII e XIX.

A autora começa por apresentar as origens desta revolução, tendo o cuidado de nos esclarecer acerca das motivações e desejos dos criadores do chamado garden cemetery.
O fenómeno é ainda observado e analisado a nível mundial, durante a segunda metade do século XIX.

Para terminar apresenta uma pequena bibliografia de material aconselhado e uma lista de locais a visitar, infelizmente quase todos na Grã-Bretanha.

Um bom livro de iniciação - e uma boa adição na biblioteca de qualquer tafófilo.

7.2.11

Livros: Cemitérios, Jazigos e Sepulturas

Descobri este volume na bibliografia do excelente Dicionário da História de Lisboa, como uma das fontes para as entradas relativas a cemitérios. Também no Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário este era um dos livros consultados, pelo que só me restou partir em busca deste volume, que imaginei difícil de encontrar por ter sido editado em 1963, numa edição de autor, com o apoio das Coimbra Editores, Lda.

Felizmente, num inesperado golpe de sorte, encontrei o livro na lista de um alfarrabista online e em menos de 24 horas tinha o volume comigo.

É, sem sombra de dúvida, uma obra de referencia. Da autoria de Vítor Manuel Lopes Dias, à altura secretário do Governo Civil do Porto, esta monografia tem o subtítulo de Estudo Histórico, Artístico, Sanitário e Jurídico e é, de facto, tudo isso.

O primeiro capítulo versa sobre ao hábitos de fúnebres humanos desde o inicio dos tempos até ao século XX, dando exemplos concretos e apresentado definições claras e concisas para quase todos os conceitos que estão relacionados. De uma riqueza e fundamentação robusta, este capítulo apresenta, por exemplo, todo o detalhe da revolta da "Maria da Fonte" fazendo referencia a diversos outros autores e obras que também versam sobre o assunto.

Relativamente à componente artística, começam por ser listados, descritos e ilustrados todos os sepulcros existentes em igrejas, conventos e catedrais portugueses, apresentando até uma justificação para o desaparecimento desta arte e claro, fazendo referencia aos escultores e obras de arte presentes nos cemitérios românticos portugueses: Prazeres, Alto de São João, Agramonte e Prado do Repouso.

No capítulo referente à componente sanitária é especialmente interessante observar as regras criadas para a selecção de locais onde edificar cemitérios, assim como todos os preceitos para a criação de campas e jazigos, tipologia de caixões e regras de tratamento. Refere até o tipo de vegetação a ser seleccionada e o porquê.

Por fim, toda a componente jurídica - até à altura - existente relativa a cemitérios e inumações.

Especialmente interessante é, também, perceber como o autor trata a questão da cremação ou incineração de cadáveres. É de recordar que esta monografia foi escrita em 1963 em pleno Estado Novo que, respeitando os preceitos católicos, proibiu a cremação, tendo criado a ideia de que o único forno crematório do país - construído no cemitério do Alto de São João em 1925 - se encontrava avariado e impossibilitado de funcionar. São mesmo apresentadas estatísticas que reduzem o número de cremações a uma a duas por ano, desde '25 até ao momento da "avaria" para justificar este não ter sido arranjado ou construido outro.

Um excelente trabalho que é, sem dúvida, incontornável.

3.2.11

Livros: Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário

Corria o ano de 1993 quando a Câmara Municipal de Lisboa publicou um dos únicos – senão mesmo o único – livro em português sobre cemitérios portugueses; lisboetas, para ser mais exacta.

O autor é Francisco Moita Flores e o livro Cemitérios de Lisboa: Entre o Real e o Imaginário é uma edição de luxo, em formato grande, de capa dura, sobre-capa e fita de seda, que deveria fazer parte da biblioteca de qualquer tafofilo que se preze.

Diz-nos Moita Flores na sua introdução:

As páginas que se seguem não são a história dos cemitérios, como esta tradicionalmente é entendida - um discurso cronologicamente organizado sobre a memória, nem quer ser um mero roteiro turístico preocupado com a bela apresentação e de narrativa simplista. É, antes de mais, uma reflexão sobre nós, sobre a nossa cidade, sobre a Morte. Ou dito de outra forma,sobre o modo como os vivos pensam, sentem e representam a Morte. Tornámo-nos, assim, viajantes através da memória, espreitando às encruzilhadas de esperanças e angústias que são ponto de encontro de todos nós, no momento em que reassumimos a consciência da nossa própria finitude.
Apesar de não ser fácil encontrar o livro nas livrarias comuns, ainda pode ser adquirido em alfarrabistas ou, com muita sorte, na loja da Câmara Municipal de Lisboa na Avenida da República.

Quando comprei o meu, há uns anos, ainda lá ficaram dois.

Contém inúmeras fotografias, contextos históricos, alguma simbologia e descrição de rituais de morte e, uma das mais valias do livro, uma visita guiada ao Jazigo Palmela no Cemitério dos Prazeres, um dos maiores jazigos da Europa, que reúne o número recorde de cerca de 200 corpos e restos mortais de elementos da mesma família.





Jazigo Palmela, Cemitério dos Prazeres, Lisboa, Portugal @Gisela Monteiro.2010