Mostrar mensagens com a etiqueta Irlanda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Irlanda. Mostrar todas as mensagens

16.11.14

Inauguração de "Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular"

No passado dia 15 de Novembro, na El Pep Store & Gallery do Centro Comercial Imaviz Underground, decorreu a inauguração da exposição fotográfica Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular.
Contou com a participação musical de Charles Sangnoir de La Chanson Noire.
Apresentei as vinte e duas fotografias que compõem a série, contextualizando a imagem, a escolha e o local onde a fotografia foi tirada.

Para quem não conseguiu estar presente, pode ver o vídeo da minha apresentação dos vinte e dois Arcanos Maiores cemiteriais:




Mais surpresas em breve.

4.11.14

Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular


No próximo dia 15 de Novembro, na El Pep Store & Gallery no Imaviz Underground, pelas 18:00 horas, vai ser inaugurada a minha exposição de fotografia, intitulada "Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular" um trabalho conceptual sobre o Tarot.
Em vinte e duas imagens de contexto sepulcral, a preto-e-branco, tiradas em diversos cemitérios portugueses e estrangeiros, apresentam-se novos arcanos maiores que, mergulhados no mistério e no silêncio próprios dos cemitérios, prosseguem num feitio surpreendente a tradição pictórica do Tarot.
A exposição estará patente até 28 de Novembro e estão todos convidados, desde já, a aparecer na abertura no dia 15.

Entretanto, estamos a preparar mais algumas surpresas que iremos anunciando. Fiquem atentos!

10.11.12

Simbologia: Perpétua Saudade

Uma das componentes que me parece mais interessante de interpretar na simbologia cemiterial é a da flora.
Em primeiro lugar, esclareça-se que nem sempre é fácil distinguir ou identificar a flor que está talhada na pedra, depois de muitos anos exposta aos rigores invernais e aos impiedosos raios do Sol no Verão, mas depois dela ser claramente identificada, existem inúmeros "dicionários de plantas" que ajudam a perceber qual o provável significado que presidiu à escolha de um ramo de margaridas ou de umas hortenses, em vez de rosas e amores-perfeitos.
Em todos os casos com que me deparei durante muito tempo, a simbologia da planta obrigou sempre à sua interpretação, nunca tendo um significado literal.
Por exemplo: o trevo comum - de três folhas - é normalmente usado para representar a Santíssima Trindade, mas acabou também por representar a Irlanda, uma vez que, segundo a lenda, São Patrício - para além de ter expulsado as serpentes - levou consigo o trevo e espalhou-o pela ilha, em representação, precisamente, da Santíssima Trindade. Assim, quando encontramos um trevo numa campa, é muito possível que estejamos na presença da campa de um irlandês ou de um católico devoto.
 Também é preciso considerar as modas e escolhas estéticas. Não é incomum encontrarmos várias campas seguidas com simbologia ou monumentos semelhantes: uma vezes, porque é uma só família (e foi essa a forma encontrada para a representar); outras, porque a escolha foi puramente estética - muitas vezes feita por catálogo, de acordo com as amostras que o artesão tinha na oficina ou com base naquilo que se viu no cemitério numa visita anterior.
 No entanto, no caso de Portugal - até agora ainda não me cruzei com este fenómeno em outros países - existe, pelo menos, um caso de literalidade. 
Nos cemitérios de Lisboa (Prazeres e Alto de São João) é difícil passar mais do que uma dezena de jazigos sem nos cruzarmos com duas plantas que normalmente aparecem juntas, por vezes na companhia de mais alguns símbolos, e cujo significado é simplesmente "Perpétua Saudade".
As Perpétuas são plantas conhecidas por florirem em canudinhos ou bolinhas - conhecidas também pelo chá que se faz com elas: em especial, o de perpétuas roxas; favorito da fadista Amália - e a Saudade tem uma representação parecida com a do cardo, podendo até ser confundida com este.
Juntas, não carecem de mais interpretação: significam "Perpétua Saudade" ou "Saudade Perpétua".

Resta realçar que, no nosso país, estas duas flores foram utilizadas frescas para enfeitar as campas. Em 1872, Ramalho Ortigão descrevia os cemitérios lisboetas da seguinte forma:
«Chegámos ao cemitério. Das grades que circulam os jazigos pendem coroas de perpétuas cor de milho estreladas de saudades roxas. Dentro dos carneiros ardem velas de cera, vicejam ramos de flores tristes e simbólicas em vasos de porcelana; e longos bambolins de crepes adornam as lápides tumulares de dísticos de ouro em fundo negro. Algumas senhoras de vestidos pretos passam silenciosas e graves. À porta algumas carruagens esperam. Eis tudo o que vimos no cemitério.»

21.7.11

Os Homens do Saco Escoceses

No seguimento do anterior artigo sobre os Homens do Saco, onde é apresentado um resumo histórico da actividade dos Ladrões de Corpos em Inglaterra, Irlanda e Escócia, fica a ligação para o site Echoes of the Resurrection Men da responsabilidade do professor Martyn Gorman da Universidade de Aberdeen, na Escócia.

Este excelente recurso disponibiliza um conjunto de mapas, baseados na tecnologia Google Maps, que permite perceber padrões de comportamento dos ressurreicionistas, uma vez que estão lá assinalados os Mort Safe que podem ser encontrados nos cemitérios escoceses, assim como a localização das Escolas de Anatomia (principais clientes dos Homens do Saco), os locais onde foram erguidas Torres de Vigia ou Casas de Mortos (utilizadas para manter os cadáveres e aguardar os primeiros sinais de decomposição, de forma a garantir a sua inutilidade para os ladrões de corpos, uma vez que estes necessitavam de espécimes frescos).
Foram ainda constituídos mapas relativos a Inglaterra e à Irlanda.
É possível aceder a fotografias dos artefactos assinalados e a uma base de dados com informação diversa, o que enriquece ainda mais este fantástico site.

Um recurso a usar e abusar e, claro, divulgar.

13.7.11

Monumentos Memoráveis: Torre de O'Connell

O maior cemitério de Dublin é o cemitério Prospect, em Glasnevin, na margem norte do rio Liffey.
A localização do cemitério acabou por rebaptizá-lo e ele é hoje conhecido como Glasnevin.

Fundado em 1832, rapidamente se tornou no cemitério de eleição dos irlandeses católicos, ficando o cemitério de Mount Jerome, situado na margem sul, para o uso dos protestantes.

Sombreando o portão principal, ao lado da capela, uma enorme torre redonda de cinquenta e um metros de altura eleva-se muito acima dos demais memoriais, sendo mesmo a mais alta torre circular existente em toda a Irlanda.

A Torre O'Connell foi desenhada por George Petries em honra de Daniel O’Connell (Α:1775 - Ω:1847), um reconhecido líder político irlandês que ficou conhecido como "O Libertador" e ao qual foi dedicada a principal avenida da cidade.

Tendo morrido em Génova, durante uma peregrinação a Roma, Daniel O'Connell pediu que o seu coração fosse aí guardado, mas que o corpo fosse transportado de regresso a Dublin, na amada Irlanda, e enterrado no cemitério católico de Glasnevin.
Em 1869, o corpo foi transladado do local original para uma cripta sob a enorme torre, construidas em sua memória.

A torre está rodeada de um fosso circular, ao qual é possível aceder descendo uma escadaria estreita.
Na parede externa do fosso, à semelhança do que pode ser visto nos cemitérios londrinos (recordo o famoso Circle of Lebanon no cemitério de Highgate), existe um conjunto de portas de metal que permitem o acesso a criptas privadas.
No anel central, sob a enorme torre, existe uma cripta aberta, guardada apenas por uma grade de metal, onde se pode ver o caixão que contem os restos mortais do herói da cidade.

Mais tarde, quando a capela foi construida, tiveram o cuidado de construir o campanário no mesmo formato circular, no entanto, é impossível competir com o gigantismo da Torre de O'Connell.

23.5.11

Cemitério de Mount Jerome - II

Apesar de já ter escrito no Mort Safe sobre o cemitério irlandês de Mount Jerome, em Dublin, não posso deixar de voltar a mencioná-lo, considerando que - finalmente - o visitei.


Foi uma visita curta, de apenas algumas horas, mas que me ficará na memória.
Sob um céu ameaçadoramente carregado de nuvens, a manhã foi salpicada por chuviscos que deixaram as pedras brilhantes e lavadas.

O espaço, apesar de visivelmente já não estar abandonado, continua com o glamour oferecido pela decandência de décadas de clima agreste e negligência.

Lápides em pedra escura e cruzes celtas cobrem o terreno, destacando o facto de que existe pouquíssima estatuária presente.
Também não se vêm tantos mausoléus como noutros cemitérios europeus, sendo que a maioria das câmaras de enterramento encontram-se no subsolo.

Algumas das peças mais marcantes e afamadas, como a estátua do cão - que dizem representar um cão real, que uivava enquanto o dono se afogava - são realmente imponentes.

Um dos pontos altos é o pequeno café, onde uma simpática senhora vende café, chá e scones caseiros, ainda mornos.
Essenciais ao visitante cansado e com frio.

Ainda tive a oportunidade de ouvir, ao longe, os lamentos de uma gaita de foles, que acompanhava uma procissão funerária, uma vez que este cemitério, apesar de antigo e quase lotado, ainda se encontra activo.

Repito os avisos que fui lendo em vários sites: cuidado ao andarem entre as campas e a lápides; o estado de deterioração do espaço é grande o que torna perigosas as distrações.

Resumindo: vale muito, muito a pena uma visita.


21.5.11

Igreja de St. Michan

Na cidade irlandesa de Dublin, na margem norte do Liffey fica a igreja de St. Michan, a mais antiga paróquia desse lado do rio, fundada no ano de 1095.

Tendo sido renovada diversas vezes ao longo dos séculos, as suas principais fases de recuperação datam de 1685 e 1825. E é essa data do século XVII que se considera como tendo sido a data de construção das agora tão famosas criptas de St. Michan.

Segundo a informação fornecida no local, existem cinco criptas sob a igreja, às quais é possível aceder por portas de metal, dispostas em volta da igreja.

As criptas foram construidas com blocos de calcário, criando o ambiente perfeito para a mumificação de cadáveres e a preservação dos seus caixões: temperatura constante e ausência de humidade.

Faz parte da visita guiada a descida a duas das cinco criptas existentes, mas é proibida a captação de imagens.
As criptas visitadas são compostas por um corredor central, alinhado com as escadas, ladeado por diversas câmaras particulares. Algumas destas câmaras não se encontram iluminadas por ainda estarem em uso, segundo nos informou o guia.

A cripta onde os corpos mumificados se encontram expostos é mais pequena, contendo apenas duas câmaras de cada lado. Aparentemente, as visitas a estes cadáveres fazem-se desde a época vitoriana, sendo que se julga que o próprio Bram Stoker (autor do romance Dracula, publicado em 1897) as visitou na companhia da sua família.

A pouca informação disponível, por essa altura, fez com que se criassem lendas e interpretações incorrectas sobre as quatro múmias em exposição. Uma delas, aquela que é normalmente acariciada pelos visitantes, é descrita como sendo um cruzado; mas data do século XVII (recorde-se que se considera que a Nona Cruzada -a última - teve lugar no século XIII).

Na segunda cripta, com um corredor central mais longo, contendo mais câmaras, podem ser vistos os caixões dos irmãos Sheare, heróis da luta pela independência da Irlanda, presos pelas tropas britânicas devido ao seu envolvimento na revolução de 1798, e que foram condenados à morte, tendo sido enforcados, esvicerados e esquartejados.

Pode ainda ser vista uma outra câmara que pertenceu a uma família nobre, os Earl's de Leitrim, cujos caixões são todos (quase) delicada e profusamente enfeitados. Podem ser observados através de um conjunto de buracos feitos numa pesada porta de madeira.

Abaixo pode ser visionado um vídeo contendo mais imagens e informação sobre as criptas e os seus mortos.



Nas traseiras da igreja, junto das portas de entrada das criptas, espraia-se um pequeno cemitério. Pedras tumulares antigas, detalhes perdidos pelo efeito da erosão, estendem-se por entre relva e delicados malmequeres.


Para quem estiver em Dublin, ou a planear uma viagem até lá, este é um local a não perder.

16.5.11

Chaloner's Corner

Uma das atracções turísticas mais conhecidas da cidade irlandesa de Dublin é o campus de Trinity College.
A diversidade arquitectónica dos seus magníficos edifícios marca a passagem dos anos e permite identificar as diferentes épocas de crescimento da universidade.

Para o visitante desprevenido será certamente uma surpresa encontrar um pequeno (muito pequeno) cemitério num dos cantos de um dos edifícios mais antigos.


Conhecida como Chaloner's Corner, esta pequena esquina é um condensado cemitério que dá abrigo a alguns notáveis académicos, especialmente o Dr. Luke Chaloner, que lhe deu o nome.

Chaloner foi o primeiro reitor da universidade de Trinity, tendo sido aí enterrado em 1613. Desde então, esta pequena esquina tem sido pontualmente utilizada para inumar posteriores reitores e alguns docentes.
Este cemitério está ainda em uso, sendo que a mais recente inumação teve lugar em 1994.

Pode ainda ser observada uma sombria escadaria que tem ligação directa às criptas por baixo da capela.

11.3.11

Cemitério de Mount Jerome

No ano de 1836, na margem sul do Grande Canal de Dublin, na Irlanda, foi inaugurado o primeiro cemitério privado do país: o General Cemetery Company of Dublin, que ficou conhecido e ainda hoje é designado por Harold's Cross ou Mount Jerome, o nome do local onde foi edificado.

Quatro anos antes, em 1832, abriu o cemitério de Glasnevin, na zona norte da cidade, que rapidamente se tornou no cemitério preferido pelos irlandeses católicos, transformando o mais recente cemitério de Mount Jerome no cemitério da população protestante.
Apenas em 1920 começaram a ser enterrados católicos em Mount Jerome, devido a uma greve dos coveiros de Glasnevin, que mantiveram esse cemitério inoperante durante algum tempo.

Mount Jerome cemetery

A primeira inumação em Mount Jerome foi de duas crianças, meninos gémeos, numa altura em que o cemitério cobria apenas vinte e seis acres de terra.
No centro do terreno fica uma belíssima capela gótica, desenhada por William Atkins e que foi construida em 1847, que ainda pode ser visitada.
Em 1874 foi necessário expandir o cemitério, tendo sido possível aumentar a área total para quarenta e oito acres, o seu tamanho actual.

Mount Jerome é actualmente considerado como um dos cemitérios românticos (vitorianos) de referência, sendo favoravelmente comparado com Highgate (Londres, Inglaterra) e Père Lachaise (Paris, França); no entanto, no final do século XX, o abandono a que este foi sujeito permitiu o declínio do espaço e a degradação dos monumentos e construções.

No virar do milénio é construido em Mount Jerome o primeiro crematório privado da Irlanda, permitindo a revitalização do espaço e o inicio de um longo e complexo processo de recuperação dos mausoléus, túmulos, criptas e estatuária.

É em Mount Jerome que se encontra enterrado Sheridan Le Fanu, o autor de Carmila - um dos primeiros romances de vampiros, ainda hoje extremamente inovador e audaz - e The House by the Churchyard.

Um visita a Mount Jerome é obrigatória para qualquer tafófilo de passagem por Dublin, sendo até possível encontrar um pequeno café no interior do cemitério.
Um alerta deixado por todos os guias é o cuidado necessário nestas visitas: a decadência a que chegou o cemitério criou buracos no chão, pedras tumulares partidas, construções quebradiças e mausoléus prontos a desabar...
A saída do recinto, no entanto, tem de ser impreterivelmente até às quatro da tarde, sendo que os portões do cemitério são fechados a essa hora, sem qualquer falha, não ficando sequer um guarda que possa facilitar a saída dos mais distraídos.

Chamam-lhe "victorian splendor in decay".