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2.2.12

Primeiro Aniversário!

Faz hoje um ano que o Mort Safe começou a espalhar a tafofilia pela Internet.


Um sentido "Obrigada!" a todos os tafófilos que têm passando por aqui e até para o ano!...

1.12.11

Mort Safe em Destaque no "Ave Rara"

O site "Ave Rara - Portal de Divulgação Cultural, Reportagens e Entrevistas" publicou uma entrevista comigo sobre o blogue Mort Safe.

É muito agradável poder contribuir activamente na desmistificação da tafofilia, promovendo as visitas culturais e turísticas em cemitérios e outros locais inseridos na dimensão do necroturismo.

Podem encontrar a reportagem/entrevista a partir daqui: "Tafofilia: Um Outra Forma de Viver a Morte".

21.7.11

Os Homens do Saco Escoceses

No seguimento do anterior artigo sobre os Homens do Saco, onde é apresentado um resumo histórico da actividade dos Ladrões de Corpos em Inglaterra, Irlanda e Escócia, fica a ligação para o site Echoes of the Resurrection Men da responsabilidade do professor Martyn Gorman da Universidade de Aberdeen, na Escócia.

Este excelente recurso disponibiliza um conjunto de mapas, baseados na tecnologia Google Maps, que permite perceber padrões de comportamento dos ressurreicionistas, uma vez que estão lá assinalados os Mort Safe que podem ser encontrados nos cemitérios escoceses, assim como a localização das Escolas de Anatomia (principais clientes dos Homens do Saco), os locais onde foram erguidas Torres de Vigia ou Casas de Mortos (utilizadas para manter os cadáveres e aguardar os primeiros sinais de decomposição, de forma a garantir a sua inutilidade para os ladrões de corpos, uma vez que estes necessitavam de espécimes frescos).
Foram ainda constituídos mapas relativos a Inglaterra e à Irlanda.
É possível aceder a fotografias dos artefactos assinalados e a uma base de dados com informação diversa, o que enriquece ainda mais este fantástico site.

Um recurso a usar e abusar e, claro, divulgar.

2.2.11

Mort Safe

«Relva e ervas ruins cresciam em abundância por todo o cemitério, cobrindo completamente as velhas sepulturas. Não havia ali uma pedra tumular. Sobre cada sepultura havia uma tabuleta carcomida, com a parte de cima arredondada mais ou menos tombada e sem ter a que se apoiar. Noutro tempo, em cada uma delas, tinha sido pintado o nome da pessoa a quem era consagrada, mas, ainda mesmo que houvesse luz, ninguém conseguiria lê-las. (...)
Na escuridão distinguiam-se a custo uns vultos vagos, que se aproximavam balouçando uma lanterna acesa, cuja luz punha no chão inúmeras manchas. (...)
O doutor pôs a lanterna à cabeceira da sepultura e foi sentar-se encostado ao tronco de um dos ulmeiros (...)
Durante algum tempo não se ouviu nenhum ruído além do que faziam as enxadas a abrir a terra, e que era muito monótono. Finalmente, uma delas tocou no caixão, com um ruído oco de madeira; em pouco minutos os homens içaram-no para fora da cova. Tiraram o corpo e deixaram-no cair rudemente no chão. A Lua apareceu entre as nuvens e iluminou o rosto pálido. Estava pronta a padiola. Colocaram-lhe o corpo em cima, taparam-no com um cobertor e ataram-no com uma corda.»
Mark Twain, As Aventuras de Tom Sawyer

No excerto acima, Mark Twain descreve um acontecimento comum no final do século XVIII: o roubo de um corpo, em nome da ciência. Os avanços científicos na área da medicina tornavam a dissecação de corpos humanos numa necessidade imperativa, mas as regras religiosas dificultavam a disponibilização de cadáveres às universidades.
Nasceram, assim, os ladrões de corpos que a troco de dinheiro invadiam cemitérios à noite, desenterrando os mortos mais recentes para vendê-los a estudantes de medicina, que evitavam fazer perguntas.
O horror da morte de um familiar era seguido pela angústia da possibilidade do corpo não ter direito ao descanso eterno e acabar na marquesa de um anatomista.
Foram criados mecanismos de defesa para os mortos, que passaram pela construção de mausoléus, gaiolas de metal ou caixões explosivos. Em 1816 foi inventado um sistema, baseado num conjunto de grades de ferro e cadeados que, colocado rente ao chão, sobre as campas, impedia os ladrões de roubar os corpos.
Em alguns casos, as grelhas eram retiradas, e reutilizadas, logo que o corpo se encontrava suficientemente decomposto para já não ser cobiçado pelos estudantes; noutros casos, iam ficando - e ainda hoje podem ser encontrados em cemitérios antigos.
Esse sistema de grelhas ganhou o nome de mort safe.