No passado dia 3 de Abril a Câmara Municipal de Lisboa inaugurou o novo Edifício Saudade, passando a cidade a dispor de um espaço para velórios e despedidas sem elementos religiosos.
Contendo ainda um forno crematório, a ausência de simbologia religiosa permite que se torne verdadeiramente inclusivo, uma vez que cada família pode decorar a sala com os elementos que entender, respondendo às necessidades das diferentes religiões e também a quem delas prescinde.
Neste contexto, a Divisão de Gestão Cemiterial, responsável pela gestão do novo edifício, publicou um número especial do Boletim Cultural dos Cemitérios de Lisboa, no qual participei com um texto sobre a história religiosa dos cemitérios de Lisboa.
A partir de fontes primárias, como as actas das reuniões da Assembleia da Câmara Municipal de Lisboa, considerando também relatos coevos em jornais e outros documentos, foi possível recuperar informações sobre as acessas discussões relativas à pretensão nacional de separar os mortos por credo, dentro dos cemitérios portugueses e como Lisboa se recusou a cumprir a lei régia, mantendo os cemitérios públicos da cidade como um espaço único sem divisões físicas.
Nos jornais períodicos conseguimos ainda encontrar referências ao primeiro funeral civil a ter lugar na cidade e as resultantes reacções da igreja e da população.
Obviamente que recomendo a leitura, para quem se interessa por estas temáticas e, claro, por quem tem curiosidade no tema.
Boas leituras!
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